Cafeicultor quer exportar mais

06/03/2007

Cafeicultor quer exportar mais

Enquanto centenas de produtores de café se encontravam reunidos na tarde de ontem, no Hotel Pestana, durante o 8º Simpósio Nacional do Agronegócio Café, que segue até amanhã, o preço da saca do grão no mercado externo caía em US$ 5. Apesar desta oscilação, que vem acontecendo constantemente em função da flutuação cambial, o clima entre os cafeicultores é de otimismo. Afinal, no ano passado, foram exportados 27 milhões de sacas. Destas, um milhão foi produzido na Bahia. Para este ano, segundo o exportador Jair Coser, a previsão é que sejam embarcados nos portos brasileiros 24 milhões de sacas.
Apesar de considerar que a economia brasileira está caminhando na contramão da economia mundial, Coser acredita que a situação se reverterá num futuro próximo.

“A saca está com um bom preço (US$ 124), mas o lucro ainda é pequeno, porque estamos com o real supervalorizado. Como isso não deverá perdurar, acredito que nos próximos anos o café será a maior atividade agrícola do mundo”, afirma.
É assim que pensa também o produtor baiano Gianno Brito.

“Ainda vale a pena produzir para exportar. O preço da saca chegou ao patamar que sonhávamos, mas temos dificuldades, porque o dólar em baixa e os custos de produção altos acabam por inviabilizar a situação de muitos produtores, especialmente os pequenos”.

Mesmo mantendo o otimismo, Brito demonstra uma certa preocupação com o futuro do setor na região sudoeste, onde é considerado um dos maiores produtores. O endividamento dos pequenos produtores é, segundo ele, um grande entrave no cenário da cafeicultura baiana. Brito explica que dificuldades em safras anteriores levaram muitos produtores à inadimplência. Isso acabou afastandoos das instituições de crédito.

“Embora tenha havido diversas tentativas de renegociação das dívidas, muitos deles não conseguiram honrar seus compromissos e não tiveram como investir na produção”, explica. Brito revela que a falta de acesso ao crédito tem levado estes produtores a enfrentarem uma situação difícil. “Estes cafeicultores estão trabalhando pela subsistência”, denuncia. Segundo ele, não existem políticas públicas voltadas para o setor.

Proprietário de uma pequena área no município de Barra do Choça, Ubirajara Amorim produz uma média de 800 sacas por ano.

Ao contrário do colega do município vizinho, defende que está havendo investimentos públicos não só para aumentar a produção como para melhorar a qualidade do produto. “Temos problemas, sim, mas também temos avanços, especialmente em capacitação de mão-de-obra, através de programas governamentais”, afirma.

RONALDO JACOBINA