Política comercial de Bush é criticada

06/03/2007

Política comercial de Bush é criticada

Às vésperas da chegada do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a taxa de importação cobrada pelos EUA sobre o etanol brasileiro exportado para aquele país. Lula disse que a cobrança dessa taxa não tem razão, deixando claro que esse será um dos principais pontos de discussão no encontro que ele terá na sexta-feira com o presidente americano, que anunciou ontem um plano de assistência à América Latina, evocando a Aliança para o Progresso lançada pelo então presidente John Kennedy em 1961 para neutralizar a influência de Cuba na região.

Em seu programa semanal de rádio “Café com o Presidente”, Lula disse ainda que não quer discutir a questão venezuelana com Bush, embora a atuação do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na América Latina seja uma das preocupações do governo americano. “ Não acredito que o presidente Bush venha conversar comigo um assunto como esse (Venezuela).

Até porque eu respeito a soberania de cada país. Acho que não há espaço para a gente discutir problemas de outros países, a não ser discutir os nossos próprios problemas”, disse Lula, direto e ressaltando: “ Se conseguirmos avançar nos nossos problemas e encontrarmos soluções para o acordo da OMC e para o biocombustível, já estaremos fazendo um bem à humanidade extraordinário. Por pressão dos próprios usineiros, o governo brasileiro quer negociar a redução ou até mesmo o fim da cobrança em relação ao etanol.

Ontem, ao exportar para os EUA, os brasileiros têm que pagar US$ 0,54 por galão (ou US$$ 0,30 por litro) e mais 2,5% de taxa.

REAÇÃO – Os Estados Unidos não pretendem ceder às pressões para reduzir as tarifas sobre a importação de etanol do Brasil.

“A tarifa não está sob negociação e não temos a intenção de propor qualquer alteração, o que é, obviamente, um assunto do Congresso”, disse ontem Stephen Hadley, Conselheiro da Segurança Nacional dos EUA, ao falar sobre a viagem de Bush a América Latina. Hadley disse que os EUA e o Brasil, os maiores produtores mundiais de etanol, não pretendem se unir para criar uma “OPEP” do etanol.

GERSON FREITAS JR, CRISTIANE JUNGBLUT E PATRÍCIA CAMPOS MELLO