Expansão chinesa traz fábrica à Bahia

08/03/2007

Expansão chinesa traz fábrica à Bahia

O estrondoso crescimento econômico da China trouxe saldos para a Bahia. Será inaugurada hoje, no Pólo Industrial de Camaçari, a multinacional chinesa Discobras.

A indústria, que é líder de mercado no segmento de CDs e DVDs, produzirá 1,5 milhão destes produtos por mês para atender a um mercado consumidor que está em franca expansão.

A proposta da indústria é expandir as linhas de produção para atingir a marca de seis milhões de unidades ao mês. Ainda que pareça uma meta ambiciosa, o diretorgeral da indústria, Cheng Yutseng, justifica: “Este mercado cresce em média 20% ao ano, e precisamos acompanhar este crescimento”.

A empresa, que pertence ao Infosmart Grupo Inc., investiu US$ 25 milhões na unidade baiana e ambiciona abocanhar uma expressiva fatia desse mercado, que movimenta anualmente R$ 5 bilhões no Brasil. A indústria pretende atender à demanda do mercado interno em 50%, conforme declarou o diretor-geral . Segundo ele, 60% da produção local será escoada para as regiões Norte e Nordeste, enquanto o restante seguirá para as demais.

O dirigente explicou ainda que a escolha pela Bahia para implantar a primeira unidade do grupo na América Latina utilizou como critérios a localização estratégica e a infra-estrutura do parque industrial de Camaçari. Os incentivos fiscais também foram apontados por Yutseng como um grande incentivo para a instalação da fábrica em solo baiano. “A Bahia é um centro estratégico e pretendemos atender à demanda da Região Nordeste”, declara.

Segundo ele, a produção local deverá interferir no custo final do produto para o consumidor baiano.

“Acreditamos que o produto chegará às prateleiras com um custo reduzido em cerca de 10%”, promete.

Com a implantação da nova fábrica, o Pólo Plástico de Camaçari, que integra o parque industrial, passará a contar com 36 empresas do setor plástico e de serviços, segundo informou o secretário da Indústria e Comércio do município, Djalma Machado. Ele destaca ainda a geração de empregos. “Conquistamos mais 150 novos postos de trabalho e fortalecemos ainda mais o pólo industrial”, afirma.

Yutseng informou que esta é a primeira indústria do segmento fora da Zona Franca de Manaus.

No planejamento da empresa está prevista a ampliação dos artigos que serão produzidos em Camaçari.

“Já adquirimos as máquinas para produzir também cartões de memória utilizados para armazenamento de conteúdos em mídias diversas, como câmeras digitais e computadores de bolso”, revela o diretor da multinacional.

Apesar de ter entrado na moda somente agora, a China mantém uma relação com a Bahia de longos tempos. Os laços que unem os baianos ao país de cultura milenar não se limitam ao apreço que nutrem pela tradicional gastronomia chinesa. Só no ano passado, a Bahia mandou para os chineses nada menos que US$ 330 milhões em produtos como soja, celulose, algodão, couros, peles, rochas ornamentais, químicos e petroquímicos, além de madeira.

Segundo o gerente de informações e estudos do Promo, a China é hoje o sétimo mercado externo para produtos da Bahia. “De 2005 para 2006, tivemos um crescimento de 35% nas exportações para a China”, afirma. Enquanto isso, o Estado importa do país asiático nada menos que US$ 260 milhões em minério de cobre, nafta, petróleo, trigo, automóveis, eletroeletrônicos e, curiosamente, cacau.

RONALDO JACOBINA