Com crédito, assentamento paulista prospera
Maria Zilda do Amaral recorda com precisão o dia em que conquistou a cessão de terras para plantar no assentamento Agrovila 6, em Itaberá (SP): 22 de dezembro de 1994. Antes, Zilda trabalhava na região como bóia-fria. "Nunca mais trepei num caminhão de bóia-fria, nem colhi feijão pensando se teria algo para pôr na mesa de noite para os meus filhos", diz a produtora.
No assentamento Agrovila 6 da Fazenda Pirituba, que agrega oito famílias, além de cuidar de cultivar arroz, feijão, milho, soja e arroz em parceria com os demais assentados, Zilda tem como tarefa cozinhar para os produtores. O prato do dia: arroz, feijão e abóbora colhidos da própria lavoura, com lingüiça, tudo preparado com o óleo de girassol processado na unidade. O que à vista de muitos parece uma simples refeição, para os assentados é um reflexo do tempo de prosperidade.
Há pouco mais de seis meses, o assentamento passou a ter energia elétrica. Neste mês, os agricultores assinaram com a Caixa Econômica Federal contratos de financiamento no valor total de R$ 1,2 milhão para a construção de casas de alvenaria. Hoje, explica Luiz Carlos Roman, assentado, as casas são feitas de restos de serraria. Cada agricultor também obteve, junto ao Banco do Brasil, R$ 4 mil para investir nas lavouras.
No assentamento, os agricultores plantam 50 hectares de milho, 25 de feijão, 25 de arroz e 1 hectare de girassol. "O arroz é para consumo próprio", diz Roman. O feijão e o milho são vendidos para a Cooperativa dos Assentados da Reforma Agrária e Pequenos Produtores da Região de Itapeva (Coapri). Na lista de produtos para venda, entrará em breve o mel, obtido com a nova lavoura de girassol. Estudos da Embrapa indicam que um hectare de girassol gera entre 20 e 40 litros de mel. "Estamos esperando a obtenção do selo de inspeção fiscal para vender o mel com a marca Raízes da Terra", afirma Roman.
Ele observa que a diversificação de culturas foi feita com recursos do Pronaf, a juros de 4% ao ano. A receita gerada com a diversificação de culturas fica em torno de 1,5 salário mínimo ao mês por família - recurso que, segundo ele, é suficiente para garantir o sustento e honrar as dívidas com os bancos.
De acordo com os assentados, parte dos recursos do Pronaf foi usada na compra de equipamentos para a montagem de uma mini usina de biocombustível e será aplicada também na instalação de um sistema de biodigestores para aproveitamento dos rejeitos da granja de suínos. (CB)