Melhorias para baixar custo de produção do maracujá

12/03/2007

Melhorias para baixar custo de produção do maracujá

A obtenção de variedades de maracujá livres de vírus do endurecimento do fruto é um dos objetivos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, que coordena uma pesquisa que busca a limpeza clonal do maracujazeiro. O alvo principal, disse a bióloga e pesquisadora Solange Rocha de Andrade, à frente do projeto, é o vírus, que causa o enrugamento da folha, dificultando a fotossíntese e, em conseqüência, a planta não cresce e produz pouca fruta e semente.
Além disso, explica a bióloga, o fruto fica com aspecto desagradável, endurecido e com verrugas.
Esta virose está disseminada por todas as áreas nacionais de plantio.
O projeto conta com parceria da Universidade de Brasília, Instituto Agronômico de Campinas, Universidade Estadual de Montes Claros e Embrapa Mandioca e Fruticultura, de Cruz das Almas.
Com o título de Técnicas de cultura de tecido vegetais in vitro e ex-vitro, o trabalho envolve genitores (pais) das espécies BRS Gigante Amarelo, BRS Ouro Vermelho e BRS Sol do Cerrado, a serem lançadas no segundo semestre.
Na avaliação da bióloga Solange Rocha de Andrade, com a limpeza clonal, espera-se aumentar a capacidade de produção de sementes, diminuindo custo de produção e preço das sementes para produtores de maracujá.
Ela disse que a limpeza já é normal com a maçã, o morango e a canade-açúcar. “Na região meristemática do fruto (na planta, meristema é o tecido que assegura o crescimento) há pouca possibilidade de haver vírus; então, separando esta região e multiplicando, por enxertia ou por micropropagação, será produzida planta idêntica à doadora, e, possivelmente, sem vírus”, explicou a bióloga.
Salientou que um material livre de vírus não significa que seja resistente; sim, saudável. “Quando uma variedade está doente, a durabilidade no campo é menor, mas com a limpeza clonal será mais saudável e terá maior longevidade, produzindo mais e demorando mais para replantio”, completou.

MÉTODOS – Serão testadas três metodologias. A primeira, de aprimoração do processo de estabelecimento in vitro de ápices caulinares ou meristemas dos genitores (micropropagação); a segunda, de microenxertia ex vitro; e a última, enxertia de ápices caulinares dos genitores tratados por termoterapia (temperatura entre 40º C e 45º C), em câmara escura.
A técnica de micropropagação in vitro consistirá em introduzir o meristema apical do genitor em condições assépticas e manutenção em câmaras de crescimento até o surgimento de nova muda.
Na microenxertia ex-vitro, ápices caulinares contendo 1 a 2 primórdios foliares serão colocados em porta-enxertos germinados e mantidos em câmaras de crescimento.
Com esta técnica foi obtida a limpeza do cultivar MAR 2050, da Universidade de Brasília.
A terceira metodologia a ser testada será a da enxertia de ápices caulinares dos genitores submetido à termoterapia. Com ela, os genitores serão submetidos a 40º C e 45º C e baixa luminosidade e seus ápices caulinares enxertados nos porta-enxertos. A hipótese é que haverá menor produção de inoculo, pois nessas condições o vírus possivelmente irá se multiplicar em baixa velocidade, devido à alta temperatura e do crescimento rápido da planta, evitando contaminação do ápice.
Após a limpeza clonal, os genitores serão indexados por imunoadsorção enzimática (Elisa) e RT-PCR e transferidos para o viveiro, com tela antiafídica, para evitar contaminação por insetos e afídeos, e onde ficam para produzir sementes das cultivares BRS Gigante Amarelo, BRS Ouro Vermelho e BRS Sol do Cerrado.