Pesquisa tira foco extrativista da carqueja
Variedade desenvolvida pela Unicamp pode ser opção para plantios padronizados e em larga escala
Após dez anos de pesquisas, foi desenvolvido, na Unicamp, o primeiro cultivar registrado de carqueja, planta nativa conhecida por suas propriedades medicinais. Com a novidade, produtores interessados em cultivar a planta em escala comercial poderão contar com um material padronizado geneticamente, com qualidade garantida e produtividade uniforme.
O pesquisador Ílio Montanari Júnior, do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da universidade, diz que o cultivar diminuirá o impacto ambiental causado pela extração da planta da natureza. 'A carqueja é muito usada, mas não é cultivada. O objetivo é desviar o foco extrativista da atividade.'
Segundo o pesquisador, na seleção foram adotados critérios agrícolas, e não químicos. Isso significa que o material foi desenvolvido a partir de parâmetros interessantes ao agricultor, como boa capacidade de rebrota, já que se trata de uma planta perene; boa produção de biomassa (folhas); florescimento uniforme e germinação. 'São características atrativas para o produtor e para a indústria, que exige qualidade, quantidade e escala.'
Além da carqueja, a Unicamp está encaminhando para registro no Ministério da Agricultura outros cultivares de plantas medicinais nativas, como macela, guaco, estévia e quebra-pedra.
INFORMAÇÕES: CPQBA, tel. (0--19) 3884-7500