Pesquisa pretende melhorar qualidade da manga no Brasil

19/03/2007

Pesquisa pretende melhorar qualidade da manga no Brasil

A predominância da variedade tommy atkins pode trazes problemas futuros para o País, nono exportador do mundo  

Nono produtor mundial de manga, o Brasil tende a enfrentar desvantagens com a variedade tommy atkins, que domina o mercado. A ampla preferência, fundamentada em razões produtivas e comerciais (resistência a doenças, tolerância ao transporte e à deterioração), significa também fator de risco.
O cultivo quase que exclusivo da variedade aumenta a vulnerabilidade do negócio da manga: a presença de plantas com a mesma constituição genética favorece a ocorrência de pragas e doenças.
No submédio São Francisco, onde são colhidos mais de 90% dos frutos exportados pelo País, a variedade ocupa 95% dos 40 mil hectares cultivados. O longo cultivo e a comercialização no submédio São Francisco fez ressaltar sérios problemas produtivos da tommy atkins relacionados ao sabor e à comercialização do produto.
O baixo teor de sólidos solúveis e também a susceptibilidade à doença conhecida como malformação floral e à ocorrência do colapso interno – um distúrbio fisiológico provocado pela deficiência de cálcio e nitrogênio, que compromete o transporte de nutrientes para o fruto, danificando a polpa – tem sido responsáveis por elevadas perdas de frutos e conseqüente aumento dos custos.
Preocupados com esta questão, a Embrapa SemiAacute;rido desenvolve pesquisas para estimular as atividades de melhoramento genético da manga. Os estudos se baseiam no melhoramento genético por métodos tradicionais: cruzamento, variação dos genótipos e seleção.
Não há transgenia envolvida.
“Utilizamos técnicas como marcadores moleculares importantes para detectar porções de DNA associadas a características desejáveis, mas não transferimos genes de outras espécies”, diz o pesquisador Francisco Pinheiro Lima Neto, da Embrapa, citando que estão sendo utilizados nas pesquisas híbridos naturais obtidos através de polinização aberta.

DIVERSIFICAÇÃO – A diversificação de variedades pode significar melhorias nas vantagens competitivas do produto em relação ao mercado. Pinheiro Neto destaca que o projeto de melhoramento genético em curso na Embrapa SemiÁrido pretende preservar as boas características da tommy atkins e incorporar novas qualidades genéticas que substituam suas atuais deficiências.
O pesquisadores instalaram nos Campos Experimentais de Mandacaru e de Bebedouro cerca de 2 mil plantas, que resultaram de cruzamentos entre tommy atkins e as variedades kent, Keit, van dyke, palmer, haden e espada ou que se originaram de cruzamentos livres envolvendo, também, as variedades aaden, surpresa e dashehari.
Os frutos obtidos já seguem para o segundo ciclo e estão sendo avaliados pelos pesquisadores.