CRA faz nova coleta e adia laudos sobre mortandade de peixes

20/03/2007

CRA faz nova coleta e adia laudos sobre mortandade de peixes

Laboratórios do Senai/Cetind estão analisando o material, que agora será encaminhado ao Instituto de Biologia

>Fiscais do Plantão do Centro de Recursos Ambientais (CRA) estão monitorando diariamente as praias de Acupe, Itapema, Saubara, Cabuçu e Bom Jesus dos Pobres, no Recôncavo baiano, atentos ao maior acidente ambiental da região. Continuam aparecendo peixes mortos e as coletas feitas foram encaminhadas aos laboratórios do Senai/Cetind. Não foram divulgados ontem os laudos dos trabalhos realizados pelo órgão.

Na madrugada de ontem, foi feita nova coleta de amostras de peixes e desta vez encaminhada aos laboratórios do Instituto de Biologia da Ufba, quando serão investigados outros parâmetros de contaminação, segundo informou o coordenador de Avaliação Ambiental, Wilson Rossi.

>A prefeitura de Saubara já decretou estado de calamidade pública e a população está em estado de alerta. A recomendação principal é que as praias da região não sejam utilizadas para banho de mar e que peixes e mariscos não sejam consumidos.

A reunião programada para o último domingo, na Colônia dos Pescadores Z-16, de Saubara, foi adiada para sexta-feira. Para o encontro, serão convidados representantes de órgãos como o CRA, Ibama, Coopa, Petrobras, Polícia Civil, além dos prefeitos de Santo Amaro e Saubara.

"Nessa reunião, a expectativa é que o CRA já tenha os laudos para que as causas da mortandade sejam conhecidas", afirmou o presidente da Z-1 e da Federação dos Pescadores e Aqüicultores do Estado da Bahia, José Carlos Rodrigues.

O encontro foi adiado porque o comparecimento de um elevado número de pessoas inviabilizou a realização do evento no pequeno espaço da colônia. Além disso, segundo Rodrigues, os ânimos estavam muito exaltados entre os pescadores, que estão sendo prejudicados com a situação do local.

O objetivo da reunião é de orientar os 1,5 mil associados quanto às medidas de emergência e também sobre as precauções, além de propor soluções alternativas para viabilizar a pesca em outros pontos onde não haja mortandade de peixes.

O dano que causou a mortandade de peixes, em uma quantidade de mais de 20 mil toneladas, segundo a prefeitura de Saubara, não foi só causado pela pesca com bomba, como constataram o CRA e a Polícia Civil.

No início da semana passada, foram identificados novos indícios de outros agentes do desequilíbrio ambiental, a exemplo da coloração avermelhada e barrenta no mar, na localidade de Ponta de Saubara, o que constata a possibilidade de fonte contaminante. Esse atenuante sinalizou ao CRA que são necessárias novas investigações e novos monitoramentos de maneira diária e sistemática.

Sobrevôos na área afetada

A bióloga e coordenadora da Fiscalização Ambiental do CRA, Carla Fabíola Ribeiro, disse que toda a área afetada pelo dano ambiental já foi sobrevoada por duas vezes e, na primeira, dia 13 deste mês, foram verificados os locais de onde estaria vindo o líquido avermelhado.

No último sábado, novo sobrevôo aconteceu na região, porque o CRA está trabalhando com três hipóteses: mortandade por pesca com bomba, contaminação química e o aparecimento de algas que também são condutoras de substâncias tóxicas.

Em paralelo à fiscalização e ao monitoramento, a areia das praias está sendo limpa. A concentração maior da fauna marinha morta está distribuída entre os distritos de Acupe, em Santo Amaro, e Cabuçu, em Saubara.