Ações equivocadas

23/03/2007

Ações equivocadas

“Água existe, o problema é o acesso, e é isso que torna a realidade hídrica do semiaacute;rido bastante difícil e complexa. Recursos também existem, já que contamos, por exemplo, com o maior lago artificial do mundo, Sobradinho; o maior açude, Cocorobó. No semiaacute;rido, as chuvas geralmente são abundantes, irregulares e concentradas em determinados períodos do ano. São as ações equivocadas do ser humano que não tiram proveito da água existente e, ainda, agravam o processo de desertificação de determinados núcleos”, diz Dario Nunes, biólogo e técnico em Saneamento do Instituto Regional da Pequena Agricultura Apropriada (IRPAA), uma Organização Não-Governamental (ONG) que atua na cidade de Juazeiro.
Para Nunes, é preciso investir na formação dos moradores da região, pesquisar e disseminar tecnologias eficazes e técnicas de produção próprias para esse clima. Ele defende, através de um olhar transdisciplinar e de ações educativas, que a sociedade estabeleça um verdadeiro entendimento das condições para, assim, gerar uma maior rentabilidade na região.

PROJETOS E DIÁLOGO O IRPAA estabelece quatro linhas estratégicas de distribuição do líquido precioso: água para a família; água de uso comunitário; água para agricultura; e água de prevenção (para emergências).
Munido de experiência dessa organização, Dario Nunes questiona diversos aspectos de projetos “grandiosos”, como, por exemplo, da transposição das águas do Rio São Francisco (atual polêmica nacional), pois propõe a descentralização das águas dos grandes mananciais por meio de projetos afinados com os movimentos sociais e que favoreçam o pequeno agricultor. O técnico do IRPAA questiona a capacidade de diálogo do governo federal e faz um apelo neste Dia Mundial da Água: vamos juntos pensar sobre o que estamos fazendo coma nossa biodiversidade, através de um manejo insustentável com os recursos naturais.