Uniformização de araticum, pequi, managaba e outros frutos

26/03/2007

Uniformização de araticum, pequi, managaba e outros frutos

O pequi, o caju do cerrado, a mangaba, o araticum, o baru e a pitaya foram as espécies escolhidas pela Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF), para desenvolver o projeto “Caracterização e usos inovadores de espécies frutíferas nativas do Cerrado”, sob a coordenação da pesquisadora Sueli Matiko Sano, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Diz a pesquisadora que a seleção dos frutos nativos, a prospecção de extratos das espécies frutíferas para controle de pragas e doenças das culturas de importância econômica, ornamentação e novos produtos alimentícios agregam valor aos frutos do cerrado.


A pesquisa, com a colaboração da Universidade Federal de Uberlândia, Universidade de Brasília, Universidade Católica de Brasília, Universidade Federal de Ouro Preto e unidades da Embrapa, terá duração de três anos e conta com mais de 40 pesquisadores. Sueli Sano explica que, geralmente, as espécies frutíferas nativas não têm estudos aprofundados como acontece com as frutas comerciais, a exemplo da uva ou da maçã. O projeto pretende selecionar as melhores plantas e tentar multiplicá-las de tal forma que tenham frutos uniformes em relação à cor, tamanho e sabor. As frutíferas do cerrado não apresentam uniformidade do fruto.


Com a ajuda da comunidade, serão escolhidas matrizes (árvores mães) que se destacam pela qualidade e sabor do fruto, alta produtividade e ausência de fungos. Delas serão produzidas mudas para o estudo do comportamento, e se reproduz quantidade e qualidade de frutos como a matriz.


O projeto é extenso e abrange a área biológica, para conhecer os polinizadores; a caracterização molecular, que mostra geneticamente os materiais selecionados; a agronômica, para conhecer a produtividade; a morfológica, que compreende o estudo do tamanho e forma da planta, da folha e do fruto; além da análise química dos frutos das coleções formadas, para um possível melhoramento genético das espécies, no futuro.

Os usos inovadores das espécies frutíferas do cerrado se fundamentam em outras maneiras de aproveitamento que não o extrativismo. As espécies também serão prospectadas para usos antimicrobiano e ornamental. Uma das alternativas de aproveitamento é o preparo de licor sem a adição de álcool, a ser testado pelo analista José Orlando Madalena, da Embrapa Cerrados, que estuda a possibilidade do apresto de licores de frutas, como acontece no preparo do vinho, em que as frutas são fermentadas.