Bahia pode produzir mais álcool

26/03/2007

Bahia pode produzir mais álcool

A auto-suficiência baiana na produção de álcool hidratado requer a construção de seis usinas, cada uma com 15 mil hectares de plantação de cana-de-açúcar. O projeto renderia ao estado 840 milhões de litros do combustível, atual consumo registrado nos postos revendedores. Mas, além da contrapartida dos empresários – cada usina demanda cerca de US$230 milhões, para custear a fábrica e a produção agrícola –, o governo do estado também teria de investir aproximadamente US$150 milhões na construção do canal principal e das estações de bombeamento de água, além de garantir capacidade de escoamento da produção e abastecimento energético.

Os cálculos são do presidente do Sindicato dos Produtores de Açúcar e Álcool da Bahia, Carlos Gilberto Farias. As usinas, diz, podem ser instaladas na região oeste, em Juazeiro, através do Projeto Salitre, e no Projeto Baixio de Irecê. Mas, reforçou o sindicalista, a iniciativa privada reivindica ainda a redução da atual alíquota de 19% para 12% do Impostos sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incide sobre a venda do álcool hidratado, além da manutenção de incentivos fiscais sobre os derivados da cana-de-açúcar, com base em leis e decretos vigentes.

A produção atual de álcool hidratado em solo baiano se resume aos 80 mil litros da usina da Agrovale, em Juazeiro. Existem, em andamento, a perspectiva de produção de 50 milhões de litros na Nova Paranaguá, em Lajedão, dentro de dois anos; dos 60 milhões de litros na Destilaria Midasa, em Medeiros Neto; e outras duas iniciativas, cada uma com potencial para produzir 50 milhões de litro, entre Medeiros Neto e Lajedão, no prazo estimado de três anos.

“O estado da Bahia é o maior importador de açúcar e álcool do Brasil”, resigna-se Farias, que também assume a superintendência da Agrovale. O consumo de 15 milhões de sacas de açúcar por ano no estado equivale a 10% do consumo brasileiro dessa commodity. Entretanto, o estado produz apenas 3,6 milhões de sacas, sendo 3,2 milhões através da Agrovale.
 

“O Nordeste, há mais de 30 anos, só produz entre 50 e 55 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, enquanto os estados do centro-sul crescem um Nordeste a cada ano”, compara o empresário. Depois do primeiro encontro com o governador do estado, Jaques Wagner, no dia 12 de março, em Salvador, Carlos Gilberto Farias aguarda a visita do chefe estadual do Executivo, na Agrovale, no mês de abril.

TATIANY CARVALHO