A Cultura do Figo
O cultivo da figueira
A figueira é uma frutífera pertencente a família Moraceae, originária da região arábica mediterrânea, Mesopotâmia, Armênia e Pérsia, havendo relatos de cultivos até mesmo a 639 a.C. A figueira é considerada uma árvore sagrada, como símbolo de honra, utilizada na alimentação de atletas. O figo foi à primeira medalha olímpica.
A planta apresenta folhas caducas que caem no outono-inverno. A figueira se desenvolve satisfatoriamente nas regiões subtropicais temperadas, mas é de comportamento cosmopolita, com grande capacidade de adaptação climática. Assim, há registros de seu cultivo no Brasil desde as regiões temperadas do Rio Grande do Sul, até mesmo nas regiões semi-áridas nordestinas. É caracterizada pela presença de células lactíferas, principalmente nos ramos e pecíolo foliar, que exsudam uma substância denominada de ficcina, enzima proteolítica que é responsável por queimaduras de 2º grau quando em contato com a pele.
A planta apresenta porte arbustivo, conduzido em sistema de sucessivas podas drásticas. Os figos destinam-se ao consumo in natura ou à industrialização, em forma de doces em calda (verdes e inchados), cristalizados, figada e secos do tipo rami.
O Brasil é considerado o 13º maior produtor mundial e o maior produtor das Américas e do hemisfério Norte; o Estado do Rio Grande do Sul é o maior produtor nacional, em área, seguido de São Paulo e Minas Gerais. RS e MG possuem a produção quase que totalmente destinada a fabricação de doces. No Estado de São Paulo, a região do Circuito das Frutas detém a maior produção, com destaque para os municípios de Valinhos, Vinhedo, Louveira e Campinas. Em Minas Gerais, destaca-se São Sebastião do Paraíso e Lavras.
Cultivar: Roxo de Valinhos, único cultivar comercial no Brasil.
Mudas e época de plantio: as mudas são produzidas a partir de estacas lisas (estacas coletadas junto a época de poda e plantadas diretamente na cova de plantio) ou estacas enraizadas. A época de realização do plantio vai depender do tipo de mudas disponível:
- Mudas de raízes nuas ou estacas: de junho a julho; - Mudas produzidas em recipientes: em qualquer época, porém, de preferência, na estação das águas. Utilizar mudas provenientes de viveiros livres de nematóide; evitar o aproveitamento de filhotes que se formam junto do tronco das plantas adultas. A estaquia direta no campo é um processo de multiplicação que pode ser conveniente pela maior rapidez na implantação do figueiral, sob condições favoráveis de clima e solo.
Espaçamento: se o plantio for destinado ao consumo in natura, deve-se adotar o espaçamento de 2,5 x 2,5m ou 3 x 2m. Se o objetivo for figo para indústria, recomenda-se usar 3 x 1m ou 2,5 x 1,5m. Mudas necessárias: 1.600/ha (mesa) e 3.300/ha (indústria).
Calagem e Adubação: de acordo com a análise de solo, aplicar o calcário para elevar a saturação por bases a 70%. Aplicar o corretivo em área total, antes do plantio ou mesmo durante a exploração do pomar, incorporando-o mediante aração e/ou gradagem. As covas para o plantio devem ter dimensões de 40x40x40cm. A primeira camada de solo (até os 30 cm iniciais), é separada do subsolo (demais 30 cm) e misturada com 5Kg de esterco de galinha ou 20Kg de esterco de curral curtido, 1Kg de calcário, 100g de P2O5 e 50g de K2O. Essa mistura é colocada no fundo da cova, completando-se o que faltar com a terra provinda da raspagem superficial do terreno. A do subsolo é utilizada para a construção da bacia ao redor da muda, após o plantio. No demais anos, realizar a adubação de acordo com a análise do solo e/ou foliar.
Irrigação: aconselhável nas estiagens da primavera de modo localizado e, de preferência, por gotejamento.
Outros tratos culturais: poda anual drástica de inverno e desbrotas, para manter a copa arejada, com 6 (figo para mesa) a 12 ramos (figos verdes para indústria) por planta; manter espessa camada de cobertura morta, com capim gordura ou bagacilho de cana.
Controle de pragas e doenças: as principais pragas que atacam a figueira são: broca dos ponteiros, coleobrocas e broca da seca da figueira. Quanto às doenças, pode-se citar: nematóides, ferrugem, antracnose, podridão dos frutos maduros, secas dos ramos, bacteriose e mancha de cercospora. Para o controle recomenda-se realizar, no inverno, a caiação do tronco e no período de vegetação, aplicação de inseticidas + óleo mineral e fungicidas combinados com calda bordalesa ou produtos a base de cobre.
Colheita: o período de colheita vai depender da época de poda e do destino do fruto a ser produzido. De modo geral, colhe-se o fruto de novembro a maio. Produtividade normal: 20 a 22 t/ha de frutos maduros ou inchados, ou 10 t/ha de verdes em pomares adultos racionalmente conduzidos.
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Trabalho enviado para publicação no TodaFruta em 22/03/2007
- 1Pesquisador Científico Centro APTA Frutas, Instituto Agronômico (IAC). Av. Luiz Pereira dos Santos, nº 1500, Corrupira, CEP. 13214-820, Jundiaí-SP. Autor para correspondência: rafaelpio@hotmail.com
2 - Pesquisador Científico Centro Experimental Central, Instituto Agronômico (IAC). Caixa Postal 28, CEP 13001-970, Campinas-SP.
Data Edição: 26/03/07
Fonte: TodaFruta