Logística afeta escoamento
Péssimas condições de algumas estradas e novas regras para carregamento em portos preocupam produtor
Depois de três anos de crise, a agricultura brasileira atravessa uma fase de bonança, com clima favorável ao desenvolvimento das lavouras e bons preços no mercado externo. Entretanto, além das dívidas acumuladas, o que preocupa os agricultores são as dificuldades logísticas. Ao longo de fevereiro e março, a expedição Rally da Safra, organizada pela Agroconsult, percorreu as principais regiões produtoras de grãos (soja e milho) e o que se viu foram estradas precárias e falta de espaço para armazenar a produção.
Um caso emblemático foi encontrado pela equipe do Rally em Querência (MT), maior produtor de soja do País. Existem 2,5 milhões de hectares de áreas abertas na região, das quais 320 mil hectares são cultivados. É o lugar com o maior potencial de crescimento do plantio no Estado e o pior em matéria de logística. Só se chega ali por precárias estradas de terra. A situação agravou-se em dezembro, com o fechamento da ponte entre Barra do Garças e Aragarças, em Goiás, principal via de escoamento da soja local. O conserto da ponte, construída na década de 1950, deve terminar em julho. Até lá a soja será escoada por balsas, mas esse meio não dará conta do volume quando a região estiver no pico da colheita.
OUTROS GARGALOS
No Paraná, o aumento da multa por atraso no carregamento dos caminhões deve pressionar o custo de frete. Pela nova lei que disciplina o transporte de cargas, cerealistas, tradings e produtores terão cinco horas para carregar os caminhões. Passado este período, pagam multa de R$ 1 por hora/tonelada. Antes, o prazo era de 24 horas e a multa, de R$ 0,24 por hora.
O custo aumentou, confirma Fernando Guerra, dono da Sementes Guerra. Pelos seus cálculos, com a nova regra o transportador pode ganhar mais para ficar parado dois ou três dias do que para transportar o cereal. Ele já pagou multa de R$ 2.500 por um caminhão que ficou parado por 36 horas. “O frete vai ficar muito alto no pico da safra, quando podem ocorrer filas em Paranaguá”, prevê.
Em Mato Grosso e no Sul, as equipes do Rally encontraram bons níveis de produtividade, apesar do ataque da ferrugem asiática. Entretanto, nos Estados do Sul que ainda não haviam tido muito prejuízo com a doença, foi necessário realizar até quatro aplicações. Em Mato Grosso os estragos se concentraram nas lavouras tardias.
Os resultados do Rally serão apresentados amanhã, na BM&F, em São Paulo (SP).
ANA CONCEIÇÃO E FABIOLA GOMES