Bahia envia carga de pele de avestruz para a África do Sul
Cerca de 4.600 quilômetros de estradas foram percorridos por caminhões transportando os contêineres que, na semana passada, levaram o primeiro carregamento baiano de peles de avestruz até o mercado internacional.
O percurso – de ida e volta – foi entre Alagoinhas, onde estavam estocadas as peles, e o Porto de Santos (SP). Os equipamentos tiveram que fazer duas viagens por não haver similares no Estado adequados para a operação. As viagens custaram cerca de US$ 12 mil, e foi apenas um entre os entraves no transporte até a Cidade do Cabo, África do Sul.
O carregamento foi composto por 3.500 mil peles de avestruz salgadas, para a confecção de calçados e roupas. A venda para o mercado exterior ocorreu graças a uma parceria entre a Brasil Struthio – formada por nove produtores baianos – e a Cooperativa de Produtores de Avestruz da Bahia.
O diretor da Associação Baiana de Criadores de Avestruz (Abicave) e da Brasil Struthio, Gildásio Almeida Rosa, observa que a venda das peles pelo Porto de Santos se deu porque, dentre os agentes marítimos em operação na Bahia, nenhum possui linha de navegação com contêiner frigorificado para a África do Sul. “Tivemos a carga duas vezes recusada por um operador logístico do Porto de Salvador, até que firmamos contrato com a Pacific International Lines, mas que não tem atividades na Bahia, só em Santos”, disse.
O principal pólo consumidor da pele do avestruz no País é Franca, cidade do interior de São Paulo, um dos grandes centros fabricantes de calçados do País. Contudo, a demanda do setor calçadista de Franca está em baixa, por conta do câmbio apreciado (valorização do dólar frente ao real).
Além da infra-estrutura e da retração do mercado interno, outro gargalo para o escoamento da pele de avestruz são os padrões internacionais de conformidade, no que se refere a estocagem e transporte.
“Estamos vendendo as peles salgadas, embora inúmeros curtumes já estejam em condições de fazer o curtimento e agregar valor ao produto”, avalia Rosa, acrescentando que no mercado interno a venda de carne de avestruz é maior do que a de pele.
LUIZ SOUZA