Cesta básica sai esta semana
O primeiro lote de cestas básicas a serem distribuídas às famílias afetadas pela contaminação nas praias da Baía de Todos os Santos comporta 20 mil quilos de peixe e deve ser entregue nos municípios na próxima terça ou quarta-feira. A informação vem de Marcos Rocha, diretor-técnico da Bahia Pesca, que está responsável pela tarefa. Ele explicou que a distribuição está sendo organizada com as entidades de representação de marisqueiros e pescadores. As famílias que não estiverem ligadas a um desses grupos, número que Rocha considera pequeno, devem procurar pelas associações ou colônia de cada cidade para garantir o recebimento. “Todo mundo será beneficiado”, assegurou. Segundo ele, a determinação expressa do governador do Estado, Jaques Wagner, é que todas as pessoas envolvidas na atividade de pesca sejam contempladas, e, portanto, o órgão dará um jeito de atender todos os profissionais afetados.
O secretário municipal de Saúde, Eugênio Portela, o superintendente de Meio Ambiente, Ary da Mata, e a coordenadora das Administrações Regionais (ARs), Marta Rodrigues, tiveram um encontro com agentes de saúde da Ilha dos Frades e a de Bom Jesus para fazer um levantamento de todos os habitantes que vivem da pesca e não possuem vínculo com associações. “Nós temos o cadastro de todas as pessoas da região com suas respectivas ocupações no Programa Saúde da Família (PSF). Através dele, fica mais fácil identificar os que merecem o benefício”.
A Secretaria de Saúde está orientando moradores a não ingerirem frutos do mar nem tomarem banho no litoral. Sem poder pescar e sem ser cadastrado na colônia, Edmundo Santana da Silva, 35 anos, tem sustentado a esposa e os três filhos com o dinheiro que ganha fazendo “bico” como pedreiro.
“Pesco desde pequeno, mas agora estou com medo. Quando não aparece de pedreiro, vou de ajudante e vou levando a vida até melhorar de novo”.
O Centro de Recursos Ambientais (CRA) ainda não apresentou os laudos dos exames laboratoriais que vão indicar a substância (ou substâncias) causadora da contaminação que afeta o litoral da Baía de Todos os Santos há pelo menos 26 dias. As espécies de peixe comuns na região praticamente desapareceram. Foram recolhidas 50 toneladas de peixes e mariscos mortos. E o drama dos habitantes só aumenta, enquanto a ajuda do governo não chega. Dependendo da ajuda de parentes e amigos, o pescador Olavo Santana de Jesus até hoje não recebeu o dinheiro da venda de 145 kg de peixes.
“Entreguei para o dono da pescaria e ele não me pagou porque não consegui vender”, lamenta-se. (M.O. ) COLABOROU LUISA TORREÃO