Área de transgênicos é 30%
Dos 850 mil hectares plantados com soja no cerrado baiano na safra 2006/2007, cerca de 30%, entre 200 mil e 250 mil ha, são de soja transgênica. Na região do Rosário, no município de Correntina, está a maior concentração. Ali a participação chega a 40%.
Em 1999 foram feitos os primeiros plantios de soja geneticamente modificada na região, apesar da proibição governamental. De 2002 a 2004, o plantio no País somente foi permitido através de medidas provisórias. A venda legal de sementes foi liberada em março de 2005, com a promulgação da nova lei de Biossegurança.
A produtividade média alcançada com as novas variedades Roundup Ready (Soja RR), lançadas pelas empresas Monsoy, Embrapa, Pioneer e Coodetec com recomendação edafoclimática (condição de solo e clima) para o oeste da Bahia é similar ao potencial produtivo das variedades convencionais de mesmo ciclo, variando de 3 a 4 toneladas por hectare, em média. Em fazendas mais tecnificadas, a produtividade da soja convencional já foi superior a 4,5 toneladas por hectare.
De acordo com o gerente de contas de soja daMonsanto, o engenheiro agrônomo Júlio Lautert, nas safras anteriores, quando a soja transgênica ainda estava proibida em solo brasileiro, alguns produtores plantaram variedades RR sem origem conhecida (piratas).
“Sem estarem adaptadas às condições de solo e clima regional, essas variedades tiveram baixa performance, comprometendo a imagem desta tecnologia, cuja adaptação é fator primordial para o sucesso deste sistema”.
Lautert explica que a soja RR foi modificada geneticamente para adquirir resistência a herbicidas com princípio ativo Glifosato.
“Usado na agricultura mundial há mais de 30 anos para a prática de dessecação, este produto é responsável pelo avanço do sistema de plantio direto, cuja adoção no Brasil tem destaque mundial e caracterizase pela melhor preservação dos recursos naturais, principalmente o solo, dispensando o preparo com grade ou arado, ficando coberto pela palhada, evitando a erosão e proporcionando diversos outros benefícios para a fauna e flora”, afirma.
A tecnologia Roundup Ready foi desenvolvida e patenteada pela empresa norte-americana Monsanto, que introduziu o gen em suas variedades e também disponibilizou a descoberta para outras empresas de pesquisa de soja. Os agricultores que se utilizam desta tecnologia estão sujeitos ao licenciamento formal mediante o pagamento de royalties.
Esse pagamento pode ser feito na compra da semente, sendo cobrados R$ 0,30 por quilo. Os agricultores que produzem suas próprias sementes estão sujeitos ao pagamento de 2% sobre o valor da venda do grão, a título de indenização pela utilização da tecnologia.
Em média, o custo do royalty fica em torno de 1% da receita bruta para quem compra a semente e de 2,0% a 2,7% da receita bruta para quem produz sua semente.
TENDÊNCIA – O consultor de agronegócios Ivanir Maia não acredita em uma expansão em grande escala da soja transgênica na região Oeste da Bahia. “Em praticamente todas as regiões produtoras de soja no Brasil o produto transgênico prevalece, o que significa que o País vai ser muito forte em produção de transgênicos. O que resta à Bahia é continuar um certo conceito que já existe, de que a região produz pouca soja transgênica”, assinalou.
Ele enfatiza que pelo fato deste ano ter mais empresas comprando para exportação, a região deverá manter a atual proporção de transgênicos.
“É possível que já para esta safra os produtores consigam um pagamento adicional para a soja convencional, pois teremos falta de produto no mercado e isso eleva o poder de barganha do produtor”, enfatiza Maia.
Há dez anos a Fundação Bahia, entidade de pesquisa agrícola no oeste baiano, está testando variedades de soja RR e convencionais que se adaptem às condições regionais.
Nos últimos quatro anos foram lançadas as variedades convencionais BRS Corisco, BRS Barreiras e BRS 263 Diferente.
Segundo a pesquisadora da Fundação Bahia, Mônica Martins, este ano foi feito o pré-lançamento, no evento denominado Passarela da Soja, de uma linhagem RR, ainda sem nome. “Se confirmarmos a tendência de adaptação na região, ela deve ser lançada no próximo ano e, em 2009 já deve ter sementes dela no mercado”.
Ela explica que para chegar a uma variedade, os pesquisadores começam observando uma grande quantidade de linhagens, acompanhando seu rendimento.
A partir desta observação, são descartadas aquelas que não se adaptam ou que não têm boa produtividade na região. “Até os ensaios finais, demora de sete a oito anos para ter uma cultivar a ser lançada no mercado”, explica a pesquisadora.
MIRIAM HERMES