Ambientalistas são contra a utilização

02/04/2007

Ambientalistas são contra a utilização

A soja transgênica do tipo Roundup Ready (RR) foi trazida para o Brasil pela gigante multinacional Monsanto em 1998 e, após muita luta dos ambientalistas, o plantio acabou sendo proibido através de liminar em favor de entidades ambientais, embora o cultivo tenha continuado de forma ilegal. Os ambientalistas alegavam que a decisão não era da competência da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e até hoje reclamam da inexistência de estudos e de um relatório de impacto ambiental.

Na Bahia, embora 30% da plantação de soja já utilize a biotecnologia, nenhum dos órgãos públicos procurados quis se pronunciar sobre o tema. A alegação é de que não existe nenhum trabalho ou setor que trate do assunto. Das entidades não-governamentais procuradas por A TARDE, apenas o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea/BA) admitiu que vem acompanhado as discussões e debatendo o tema.

A analista técnica do conselho, Lucidalva Xavier Barbosa, revelou que o órgão já se manifestou de forma contrária ao uso de transgênicos. “Já realizamos seminários para debater essa questão e temos um processo no Ministério Público Federal contra o plantio de um campo experimental no oeste”, revela. Mesmo admitindo não ter um trabalho voltado diretamente para esta questão, o coordenador do Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá), Renato Cunha, afirmou que a entidade é contra o uso de transgênicos. “Não temos uma ação direta, mas seguimos a posição do movimento ambientalista brasileiro que se coloca contra o uso dos trangênicos por ser uma tecnologia recente e que não conseguiu comprovar se prejudica ou não a saúde e o meio ambiente“, discursa.

O deputado estadual Javier Alfaya (PCdoB) apresentou um projeto na Assembléia Legislativa da Bahia, que obriga todo produto transgênico baiano a incluir a informação no rótulo.

“O projeto está na Comissão de Constituição e Justiça e aguarda a indicação do relator para que comece a tramitar”, assegura.

Na opinião da presidente da Associação Nacional de Biossegurança (Anbio), Leila Oda, os estudos mostram que o consumo destes organismos modificados geneticamente não traz nenhum prejuízo à saúde da população. “A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) já comprovou isso. Estas técnicas utilizadas no Brasil já estão inclusive ultrapassadas. Os Estados Unidos e o Canadá já estão na terceira geração”, anuncia. Na avaliação dela, o uso dos transgênicos tem mostrado benefícios econômicos e ambientais.

O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Ricardo Vilela Abdelnoor faz coro com a presidente da entidade e explica o que acontece com a soja transgênica. “Não se consegue cultivar soja sem o uso de agroquímicos e o tipo RR tem um gene que confere tolerância a um herbicida, isso significa que não será preciso fazer uso de vários agrotóxicos no plantio“, explica.

Segundo a CTNBio, estima-se que as culturas transgênicas, mais resistentes às pragas, reduziram o volume de pesticidas utilizados globalmente em 6%, desde 1996. No Brasil, o volume de herbicidas utilizados na soja caiu em cerca de 3,2 milhões de quilos, um decréscimo de 4% no impacto ambiental associado ao cultivo da soja.

RONALDO JACOBINA