Obra inacabada gastou R$ 37 mi
Idealizado com o objetivo de criar um pólo de horticultura na região do semiaacute;rido baiano, o Projeto de Horticultura Irrigada da Bacia de Tucano, (município localizado a 237 km de Salvador), parou no meio do caminho. Ontem, uma comitiva de secretários do governo do Estado esteve em Tucano com o objetivo de ouvir a comunidade e tentar identificar onde foram aplicados os R$ 37 milhões do Fundo de Combate a Pobreza e do Banco Mundial que foram repassados ao Estado para ser aplicados nas obras. A ida da comissão de secretários estaduais a Tucano acatou denúncia do prefeito do município de Tucano, Rubens Arruda (PSB).
O projeto, que abrange seis municípios do semiaacute;rido, previa a implantação de 20 módulos, beneficiando, cada um, 100 famílias, que seriam responsáveis por cerca de 3,5 hectares, sendo que 1,5 hectares de área irrigada.
“O dinheiro foi liberado no tempo certo, só não sei o que foi feito, pois até o momento não se tem sequer um módulo funcionando”, explicou a técnica da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrário (EBDA), Margarida De Mori sobre a não conclusão das obras.
A comitiva teve a oportunidade de ouvir e verificar as necessidades das famílias para garantir que o projeto, criado há 4 anos, viesse a funcionar. De acordo com a técnica da EBDA, “as famílias teriam casas e terra para plantar e desenvolver projetos na área de horticultura, criando assim uma oportunidade de vida melhor para estas famílias que têm nesta atividade o seu sustento”, afirmou.
O prazo de conclusão estava marcado para 2006 e além de Tucano, seriam contemplados os municípios de Ribeira do Pombal, Ribeira do Amparo, Banzaê, Cipó e Cícero Dantas. Apenas uma unidade, a de Tucano, do total de seis módulos, está com 90% das obras concluídas.
Até o momento, apenas a seleção das famílias a serem beneficiadas pelo projeto foi feita nas outras cidades. “Não sabemos o que falar para estas famílias que alimentaram o sonho de mudar de vida e estão Casa de força para abrigar bomba do sistema de irrigação em Tucano estão decepcionadas com o projeto.
O pior é que muitas alugaram suas casas na cidade e vieram para cá, mas não estão tendo como sustentar seus dependentes”, frisou a técnica.
Das 100 famílias que deveriam estar no 1º módulo, apenas 34 estão residindo no lugar, mesmo assim sem acesso a água potável e energia elétrica. “O projeto da energia foi aprovado e a Coelba tem até 30 de maio para ligar toda a rede, mas a água está dependendo de um convênio com o governo do Estado, que até o momento não foi solucionado”, disse Margarida De Mor i.
O projeto enfrenta ainda alguns impedimentos burocráticos. De acordo com a técnica da EBDA, para que o projeto seja inaugurado é necessário que a Assembléia Legislativa vote o projeto de cessão do uso do solo, para que os financiamentos sejam liberados através do Desenbahia. Os valores são variáveis, segundo a técnica, mas não ultrapassam R$ 9 mil por família.
DIFICULDADES – O produtor Cirilo Galdino, que é presidente da associação dos moradores do módulo, as dificuldades que as famílias estão passando são enormes, principalmente no que diz respeito à alimentação, já que sem condições de plantar eles não tem recursos para arcar com as despesas.
“Em conversa com os outros moradores e com os técnicos da EBDA, estamos tentando criar um projeto de criação de galinhas caipiras, com isto poderemos amenizar o nosso sofrimento, pois podemos comercializar tanto as aves como os ovos”, destacou.
Para ele, a visita dos secretários à região deu um pouco de esperança para as famílias para que o projeto de irrigação seja concluído e as famílias possam começar a trabalhar na lavoura e com isto tirar o seu sustento. “Nós aguardamos quatro anos para que produção fosse iniciada e nada foi feito até o momento, o que temos agora é uma esperança de que as coisas irão andar e bem mais rápido teremos retorno de tudo o que investimos neste tempo todo”, acredita, acrescentando que as casas são compostas de sala, cozinha, banheiro área de serviço e 3 quartos.
A comitiva contou com a presença dos secretários de Integração Regional, Edmon Lucas, de InfraEstrutura, Antônio Carlos Batista Nunes, e da deputada Federal Lídice daMata (PSB). Além de deputados estaduais e representantes da política local. Os secretários Walmir Assunção, Geraldo Simões e Juliano Mateus, da secretarias de Combate a Pobreza, Agricultura e Meio Ambiente e Recursos Hídricos mandaram representantes
Secretário cita publicidade oficial
O secretário de Integração Regional, Edmon Lucas disse ontem que tomou um susto ao entrar na área destinada à produção de horticultura, uma vez que o governo passado colocou na mídia várias propagandas, divulgando que o projeto estava funcionando a todo vapor e que, inclusive, as famílias já estavam comercializando os produtos.
“Na verdade quando olhei para tudo isto aqui, achei que estava em outro local e quando desci, vi que a realidade era outra. Se não existe sequer os investimentos necessários para o projeto ser inaugurado, como é que eles dizem que as famílias estavam comercializando os produtos? É brincar com o sentimento do povo”, observou.
Ele garantiu que todos os esforços estarão sendo feitos para que o projeto seja concluído e determinou o prazo de quatro meses para que o módulo de Tucano seja inaugurado. “Não estamos aqui para prometer nada e nem dizer que em quatro dias resolveremos a situação, mas não vou deixá-los mais quatro anos sem uma solução. Em agosto, estaremos aqui não mais para observar, mas para inaugurar este primeiro módulo”, garantiu.
RESPOSTA – O ex-secretário de Comunicação de Paulo Souto, João Paulo Cunha, disse que o projeto de horticultura irrigada não foi finalizado porque houve uma série de problemas referentes à titulação de terra e questões ambientais. “Mas não fizemos nenhuma propaganda dizendo que esse projeto estava concluído“, assegura. Ele disse que o governo anterior inaugurou o projeto Tucano de Abastecimento de Água, distinto do mencionado pelo secretário.
ALEAN RODRIGUES