Alimentação do gado a baixo custo

10/04/2007

Alimentação do gado a baixo custo

Matéria-prima para a produção de açúcar, álcool, cachaça e rapadura, a cana-de-açúcar começa a ganhar força também na pecuária, a partir de pesquisas desenvolvidas nas estações experimentais da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), em Barra do Choça e em Itambé.
A utilização na suplementação alimentar dos rebanhos tem apresentado bons resultados no desempenho dos animais em períodos de estiagem, tanto na produção de leite quanto na de carne.
Graças ao trabalho de pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a EBDA, diversas variedades são estudadas para servir de forrageiras (alimentação) para o gado de leite e de corte.
O objetivo dos pesquisadores é garantir variedades de melhor qualidade para este fim. Para isso, explicou o pesquisador da EBDA Gilson Caroso, são observados no experimento as seguintes características: boa produtividade, alto teor de açúcares, rebrota vigorosa, ausência de tombamento, resistência a pragas e doenças, além da ausência de florescimento.
À frente da Estação Experimental Manoel Machado, no município de Itambé, região sudoeste do Estado, Gilson Caroso afirma que a cana-de-açúcar é a forrageira com maior capacidade de produção de energia por unidade de área cultivada.
“Associada à uréia, a uma boa mistura mineral e ao enxofre, a canade-açúcar vai assegurar ao rebanho a energia necessária para aumentar a sua capacidade leiteira e de peso”, explica.

VARIEDADES – Além de alternativa alimentar para os períodos de seca, o baixo custo de produção e um dos motivos que têm levados os produtores de gado a investir no plantio e no cultivo de algumas variedades.
O pecuarista Maurício Muinos, de Vitória da Conquista, já utiliza a cana-de-açúcar como alimento para o seu rebanho há mais de dez anos. Na sua fazenda são cultivadas 18 variedades, em uma área de cinco hectares.
“Com esta produção eu consigo alimentar as vacas de menor lactação durante o ano inteiro e ainda me sobra uma parte para fazer cachaça”, afirma. A possibilidade de contar com a ração todo o ano a um custo menor do que o de outras rações que utiliza para seu rebanho de maior produtividade, é uma das vantagens que ele áponta.
Maurício Muinos explica que a produção da forrageira acontece de forma programada. “Quando um plantio entra na maturidade, o próximo já está crescendo e assim sucessivamente”, conta.
Na sua opinião, o fato de ser uma cultura tradicional, de fácil manejo e ainda de possibilitar altas produções em pequenas áreas, a cana tem um período de maturação e colheita que coincidem com o período de escassez do pasto.
“Além disso, esta cultura dispensa o armazenamento e apresenta pequena taxa de risco. É uma cultura perene, rica em carboidrato (sacarose), e muito bem aceita pelo gado”, afirma, acrescentando que o sabor adocicado da cana facilita a ingestão da uréia, que tem sabor amargo.
O pecuarista Muinos explica que a associação da cana-de-açúcar à uréia é capaz de sustentar produções de até dez litros de leite/ dia. “Para as vacas cuja produção é maior, utilizo outros tipos de ração”, ensina. Com relação ao gado de corte, a mistura possibilita pequenos ganhos de peso, conforme observa o produtor.
O pesquisador EBDA Gilson Caroso afirma que a mistura ajuda na manutenção da boa condição reprodutiva para as fêmeas das diversas raças bovinas.

RONALDO JACOBINA