Petrobras testa novo biodisel na Bahia

10/04/2007

´Petrobras testa novo biodisel na Bahia

 

A Petrobras deu início ontem, em Salvador, aos testes com Biodiesel B5 – óleo diesel convencional com 5% de biodiesel em sua composição.
Cinco picapes da Ford vão rodar cerca de 100 mil quilômetros pelas estradas baianas para que se possa verificar o desempenho, os efeitos da corrosão e impacto para o motor. O projeto tem como objetivo preparar a frota brasileiras para o aumento da mistura (nos próximos anos) que atualmente é de 2%. ”A produção de biodiesel é hoje de 800 milhões de litros no Brasil, suficiente para atender os 2% de mistura. Vamos testar 5% para fazer uma comparação com os veículos que não utilizam“, informou o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli.
O biodiesel usado no teste foi fabricado com mamona e soja. O presidente da Petrobras se posicionou contrário à idéias dos governos da Venezuela e Irã de criar uma Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo) do gás.
Acha que isso não daria certo pela diferença estrutural entre o gás e o petróleo.
”O petróleo você coloca no navio e ele vai para qualquer lugar do mundo. O gás precisa de gasoduto que é um equipamento fixo e é regionalmente estabelecido. Você não pode mover o gasoduto“, declarou, argumentando que dessa forma é quase impossível fazer no gás a mesma política que a Opep faz para o petróleo. Gabrielli aproveitou a visita a Salvador, ontem, para proferir palestra na Fundação Pedro Calmon sobre ”O desenvolvimento da economia baiana e a contribuição da Petrobras“.
Ele traçou um perfil da Bahia antes do petróleo como o de um estado com a economia estagnada e serviços públicos deficientes. ”A descoberta e produção de petróleo na Bahia foi fundamental para o desenvolvimento da economia estadual a partir do final da década de 1950“, disse, apontando uma ”revolução“ no mercado de trabalho coma criação do centro de formação profissional na área de petróleo.
Para exemplificar os impactos positivos da empresa para a Bahia, citou que no ano passado a Petrobras pagou royalties de R$ 279,3 milhões para o Estado e municípios produtores.

HUGO CHÁVEZ – Gabrielli classificou de “pertinentes” as preocupações do presidente venezuelano Hugo Chávez em relação à expansão da lavoura de cana-de-açúcar para o aumento da produção do etanol, que pode substituir em todo o mundo os combustíveis de petróleo, que tem na Venezuela um dos maiores produtores mundiais.
“Ele levanta pontos importantes a serem considerados. A expansão da produção de etanol não pode ser às expensas, às custas da produção de alimentos, de piorar as condições ambientais, de usar trabalho em condições precárias”, disse, sem achar que o discurso de Chavéz revele o temor da Venezuela perder a hegemonia na produção de combustíveis na América do Sul para o Brasil.
Para Gabrielli, a expansão da lavoura canavieira precisa combinar “a utilização de terras degradadas, tecnologia com máxima eficiência e minimizar os impactos na produção de alimentos. Ele (Chavéz) está levantando pontos que são necessários e pertinentes”, ponderou, explicando que nesse momento a Petrobras está trabalhando na montagem de “uma logística para e exportação do etanol, principalmente para o Japão. Além disso, explicou que a empresa está procurando ampliar a produção de etanol em vários países.
Dirigente da Petrobras quando o Brasil conseguiu a autosufiência na produção do petróleo, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gabrielli informou que nessa segunda gestão, a estatal tem metas ambiciosas como atingir o crescimento da produção em 20% acima do consumo nacional.
”Queremos também aumentar a utilização do petróleo nacional nas nossas refinarias de 80% para 90%, produzir 71 milhões de metros cúbicos de gás até 2010 saindo da produção atual que gira em torno de 25 milhões metros cúbicos, expandir a produção de biocombustíveis, bem como a nossa atividade exportadora“, afirmou.