Aquecimento será pior para os pobres

10/04/2007

Aquecimento será pior para os pobres

 


O último relatório divulgado em fevereiro pelo Painel Intergover namental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) era o que faltava para alertar a classe política sobre a necessidade de programas para minimizar as conseqüências previstas para o futuro.

“O Brasil acorda tarde, mas antes assim do que nunca”, afirma o climatologista e pesquisador do Inpe Carlos Nobre.

Entre as iniciativas estão a criação de um Plano de Combate às Mudanças Climáticas para a elaboração de programas de adaptação e de redução das emissões, além de uma Rede de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas, ancorada ao Inpe.
Segundo Nobre, as mudanças climáticas afetarão, sobretudo, os mais pobres. “As pessoas que mais sofrerão com as conseqüências são aquelas que menos contribuíram para o processo”.

Nobre, um dos maiores especialistas no assunto, afirma ainda que a reversão completa dessas mudanças já se tornou impossível. “O que nós temos que fazer é desacelerar o crescimento do aquecimento global, reduzir as emissões e nos adaptar.” Na última terça-feira, o climatologista esteve em Salvador para participar do lançamento da série de debates intitulada Diálogo das Águas, promovida pela Superintendência de Recursos Hídricos (SRH/Semarh). Durante o evento, o especialista concedeu uma entrevista à repórter FABIANA MASCARENHAS e falou sobre programas de adaptação e os impactos do aquecimento no Brasil.

A TARDE | Antes, as pessoas eram mais céticas em relação ao aquecimento global. Os acontecimentos ocorridos nos últimos seis anos como a seca na Amazônia, furacões no Norte, como o Catrina foi o clique que faltava para que a sociedade civil, os políticos e a imprensa começassem a pensar que, de fato, existia algo errado com o clima?

CARLOS NOBRE| Acredito que foi, e está sendo, pelo crescente de evidências que vêm de todas as partes do mundo. Os fenômenos extremos como chuvas, secas e furacões estão mais intensos e acontecem com mais freqüência. Com isso, o que era tido como uma teoria científica acaba repercutindo numa comprovação prática. As pessoas passaram a acreditar na mudança do clima e a perceber as possíveis conseqüências, sobretudo para as próximas gerações, e essa é a précondição para as transformações políticas necessárias para mudarmos o panorama para o futuro.

 

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