Marisqueiras precisam de ajuda em Maragojipe

12/04/2007

Marisqueiras precisam de ajuda em Maragojipe

O desastre ambiental que provocou a mortandade de 50 toneladas de peixes em Saubara, Santo Amaro e Salinas da Margarida, no Recôncavo, causou um impacto socioeconômico grave na vida das seis mil famílias de pescadores e marisqueiras do município de Maragojipe (a 133 km de Salvador).

São 18 mil pessoas que hoje dependem de cestas básicas e da ajuda financeira do governo federal para sobreviver. Destes, apenas 1.200 estão cadastrados para receber o benefício. Dos cinco distritos de Maragojipe, quatro vivem exclusivamente da pesca e da mariscagem.

Para não agravar a situação dos pescadores e marisqueiras, eles comem o que pescam e catam do mangue, já que não conseguem vender o produto porque não acham comprador. O município possui a maior comunidade pesqueira do Recôncavo.

Numa região cuja principal atividade é a pesca, o futuro é incerto para quem depende do pescado. Maragojipe produz mensalmente cerca de 40 toneladas de peixes, camarão e mariscos, segundo a Colônia de Pesca Z-7.

Apesar de o Centro de Recursos Ambientais (CRA), que recolheu análises da água emMaragojipe, não ter detectado o fenômeno neste município, em localidades como Enseada e São Roque do Paraguaçu, pescadores encontraram peixes mortos.

DÚVIDAS –Segundo o biólogo da prefeitura, Ricardo Guedes, não se sabe ao certo como morreram. “Pode ser que a maré tenha trazido estes peixes de outros locais ou foram alvos da pesca com bomba. Eles apareceram mortos desde o último dia 27 de março”, salientou Guedes.

Para o biólogo, também não se pode afirmar que o peixe em Maragojipe pode ser consumido ou não. “Maragojipe não está incluída no decreto do Ibama que proíbe a pesca, mas também não recebe a parte do seguro-defeso, apenas as cestas básicas e três toneladas de peixes. São seis mil famílias atingidas”, disse. Técnicos da prefeitura encontraram espécies, como robalo, baiacu, pescada, carapeba, xangó, curvina e maçambê, mortas na praia.

Até o momento, apenas duas mil cestas básicas, que duram 15 dias, foram distribuídas entre 1.200 pescadores e marisqueiras. “Só recebe o seguro-defeso aquele que está cadastrado na Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seasp). A maioria dos pescadores não possui documentação nem o cadastro na Seasp. Estamos tentando agilizar esses cadastros para que todos eles recebam o seguro-defeso”, garantiu o secretário de Desenvolvimento Econômico de Maragojipe, Genilson Pinheiro.

Para minimizar a situação, pescadores e marisqueiras consomem todo pescado que não conseguem vender. “Ninguém está comprando marisco ou peixe, pois todos estão com medo.

Cato sururu, mapé e siri, mas não vendo. Estou mantendo a família com R$ 50 que recebo do Bolsa Família”, lamenta a marisqueira Albertina Santana Souza, 48 anos, 24 como marisqueira. “A gente vive agora da ajuda da família, porque tem conta de energia e água para pagar”.

Segundo o secretário, há pelo menos quatro ocorrências de pessoas que passaram mal e tiveram atendimento no Hospital Municipal de Maragojipe, mais oito que foram atendidas nos postos de saúde. Em casa, os pescadores estocam os produtos.

CRISTINA SANTOS PITA