País testa vacina para camarão
Produto, que combate cinco tipos de bactérias, deve dar uniformidade aos lotes e aumentar a sobrevivência das aravas
Na segunda-feira, um laboratório de pós-larvas, em Canguaritama (RN), começou os testes de vacinação de larvas de camarões. A iniciativa, inédita no País, consiste na colocação de artêmias (microcrustáceos) nos tanques para alimentar as larvas de camarões. Segundo o gerente de produção da empresa, Eduardo Godói, as artêmias receberam a vacina por meio da bioencapsulação: a vacina, colocada na água em pequenos recipientes, enche o trato digestivo dos micromuluscos.
A expectativa é que a vacina pentavalente, produzida por um laboratório multinacional, promova a uniformidade dos lotes e melhore a sobrevivência das larvas. “Normalmente, 60% das larvas sobrevivem. Pretendemos aumentar esse porcentual para 65 ou 75%”, diz. “Com a vacina, as larvas enfrentam a fase de estresse com maior imunidade, o que aumenta a chance de não desenvolverem vibrioses no início da engorda”, explica.
Por ser um produto natural, que atua no combate de cinco tipos de bactérias que afetam o camarão, sem deixar resíduos, Rodrigo Carvalho, do Departamento Técnico Comercial da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), prevê aumento da produtividade sem o comprometimento da qualidade. “Abre boas possibilidades para o futuro. Os resultados apontam nessa direção.”
SANIDADE
O camarão cultivado brasileiro é relativamente novo no mercado internacional, mas está ganhando espaço pela qualidade sanitária: é livre dos vírus da mancha-branca e da cabeça-amarela e isento de antibióticos e outros resíduos químicos.
O camarão brasileiro tem duas vantagens: a qualidade superior da matéria-prima e a capacidade de as indústrias produzirem e ofertarem camarões com regularidade o ano todo. A associação quer consolidar e expandir mercados, buscando ainda explorar o potencial de camarões processados.
INFORMAÇÕES: ABCC, tel. (0--84) 3231-9786