Pulverização protegida e segura

12/04/2007

Pulverização protegida e segura

Escolha do método adequado de aplicação e uso de equipamento de proteção individual (EPI) evitam acidentes

A aplicação de defensivos químicos sem a proteção adequada ainda é o grande responsável por acidentes de trabalho no campo. A toxicidade dos produtos utilizados associada à exposição de quem os aplica, resulta em grande risco à saúde do trabalhador.

'Em maior ou menor grau, qualquer operação com máquinas ou implementos envolve um grau de periculosidade, mas a aplicação de agrotóxicos continua sendo uma das mais perigosas ao trabalhador rural', afirma o diretor do Centro de Engenharia e Automação, do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas (SP), Hamilton Humberto Ramos.

Ele explica que se a toxicidade é relacionada ao produto aplicado, a exposição refere-se ao sistema de aplicação. 'A segurança do trabalhador consiste na adoção de técnicas seguras de aplicação, no estudo de equipamentos de proteção individual adequados ao trabalho e na divulgação de técnicas que reduzam a necessidade do uso de agrotóxicos, como o manejo integrado de pragas.'

CRITÉRIOS

Sobre a escolha do equipamento de pulverização, Ramos diz que é um ponto delicado. 'A escolha do melhor equipamento de pulverização deve ser criteriosa, e levar em conta fatores como tamanho da área a ser tratada, tempo disponível para a operação, condições de topografia e solo, mão-de-obra disponível, número de tratores, organização da propriedade e poder aquisitivo do produtor. 'Após ponderar esses fatores é que se toma a decisão mais acertada.'

Conforme o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a norma regulamentadora referente à segurança e saúde no trabalho rural é a NR 31, que determina deveres do empregador e do empregado. Para evitar problemas com fiscalizações e multas, a orientação é apresentar à Delegacia Regional do Trabalho local um plano de segurança e saúde.

KIT COMPLETO

E, assim como a escolha do tipo de pulverização a ser adotado, em relação ao equipamento de proteção individual (EPI) vale a mesma ponderação. 'O recomendável, diz Ramos, é vestir o kit completo: touca árabe, viseira, respirador, camisa e calças hidrorrepelentes, luvas e botas. Por lei, o EPI deve fornecer conforto térmico, evitando a transpiração excessiva do aplicador.

'Antes de fornecer o EPI, o produtor deve regular bem o pulverizador para racionalizar ao máximo a aplicação, reduzindo a exposição do aplicador e do ambiente', ensina Ramos, e acrescenta que se a aplicação é eficiente a segurança do aplicador é maior, pois o desperdício é pequeno. 'A melhor forma de conciliar eficiência de aplicação e segurança é investir em um programa amplo de treinamento.'

Ramos atribui os acidentes ao baixo conhecimento de técnicos e aplicadores sobre o risco da operação. 'Uma opção é adotarmos a figura do 'aplicador habilitado', já existente na Europa. Lá, para aplicar agrotóxicos é preciso ter habilitação, como uma carteira de motorista', fala.