Em busca da sustentabilidade

12/04/2007

Em busca da sustentabilidade

Pesquisadores da Embrapa desenvolvem sistema que analisa o nível de sustentabilidade de uma propriedade rural

A exigência de produções sustentáveis como chave para o promissor mercado mundial está lançando um grande desafio para a agricultura moderna: oferecer justiça social e preservação do ambiente com garantia de lucro. A pesquisa brasileira começa a apresentar formas práticas de aplicação do conceito, que por enquanto é viável, comprovadamente, em pequenas propriedades.

Os pesquisadores Geraldo Stachetti Rodrigues e Clayton Campanhola, da Embrapa Meio Ambiente, criaram o método Avaliação Ponderada de Impacto Ambiental e Atividades do Novo Rural (Apoia-NovoRural), que está sendo testado pela equipe do pesquisador Pedro José Valarini.

O método é uma ferramenta de gestão ambiental que calcula a contribuição da atividade rural ao desenvolvimento sustentável, analisando a propriedade em cinco dimensões: ecologia da paisagem, compartimentos ambientais, valores socioculturais, econômicos e gestão e administração. As dimensões são divididas em 62 indicadores, como qualidade da água e do solo, lucro, diversidade de fontes, distribuição de renda e valorização da propriedade. Para ser considerado sustentável, o produtor tem que atingir pelo menos 0,7 em todos os indicadores.

RESULTADOS

Já foram avaliadas 30 propriedades rurais, dez orgânicas, dez convencionais e outras dez hidropônicas, todas em São Paulo. Os primeiros resultados mostram que as propriedades orgânicas qualificam melhor três (ecologia da paisagem, compartimento ambiental e gestão e administração) das cinco dimensões. No geral, apenas quatro propriedades, todas orgânicas, atingiram índice médio superior a 0,7. As convencionais ficaram em média, com nível 0,5 e as hidropônicas, em torno de 0,6.

Isso não significa que uma grande propriedade com monocultura não possa ser sustentável. 'Não devemos reduzir a dimensão sustentável apenas a procedimentos técnicos', diz o representante da FAO na América Latina, José Graziano da Silva. Ele destaca que a cana, por exemplo, absorve o mesmo volume de carbono que emite na etapa de produção e no uso posterior do álcool gerado e ainda é autosuficiente em energia elétrica. 'Muitas áreas usam adubação de cobertura com matéria orgânica e adubação verde para recompor o nitrogênio e a fertilidade do solo', diz. 'Neste caso, só não é sustentável se o produtor usar mão-de-obra em condições desumanas, pois falta-lhe a perna da sustentabilidade social.'

Para o presidente da Fundação de Agricultura Sustentável (Agrisus), Fernando Penteado Cardoso, antes de ser sustentável, o agricultor precisa se sustentar. 'Se não ganhar dinheiro, ele vai embora do campo.' Outra bandeira da fundação é o plantio direto, o que, para Cardoso, permite a uma grande área com monocultura se adequar ao conceito. Segundo a fundação, o Brasil tem cerca de 45 milhões de hectares plantados com culturas anuais, 22 milhões em sistema de plantio direto.