Interesse belga em biocombustível brasileiro
Dirk Becquart, diretor comercial do porto de Ghent, na Bélgica, um dos maiores portos da Europa, desembarcou no Brasil com a missão de reunir-se com o maior número possível de fabricantes brasileiros de biocombustível. "A importação de biocombustível do Brasil é só uma questão de tempo", diz ele. "Não teremos como atender a demanda crescente com produção local, o futuro será um mix de produção com importação".
Hoje, diz o belga, a importação de biocombustível do Brasil é economicamente inviável por conta da tributação. No caso do etanol, por exemplo, a taxa de importação imposta pela União Européia é de 0,19 euros por litro. Além da taxa de importação, há uma norma técnica que incentiva o consumo de biocombustível produzido à partir da canola e restringe óleos fabricados a partir de soja ou palma, os casos mais comuns no Brasil.
Becquart, porém, acredita que a pressão política por redução das taxas vai forçar uma revisão dentro de poucos anos. Mais do que o álcool, afirmou, os belgas estão interessados em informações sobre fabricação de biodiesel a partir de produtos como soja, palma, mamona. "A logística de transporte do biodiesel é mais fácil que a do álcool", diz. Pesa também o fato de a maior parte da frota de veículos da Bélgica ser movida a diesel.
O combustível comercializado hoje na Bélgica tem uma mistura de 2,5% com biodiesel. A meta é elevar para 7%. O governo tem incentivado a produção nacional, mas a avaliação do diretor do porto é de que a produção local não será capaz de atender a expansão da demanda, até por questões geográficas e climáticas. Falta terra para plantio em larga escala das matérias-primas e as condições de temperatura são desfavoráveis. "O biocombustível será aplicado cada vez mais em outros setores além de veículos e importar será a saída."
Embora saiba que é cedo para pensar em contratos com fabricantes brasileiros de biocombustível, Becquart diz que a direção do porto de Ghent - que passou recentemente por uma grande reforma - está atento à aproximação entre os fabricantes brasileiros e os empresários belgas. "Minério e aço são nossa realidade, mas o biocombustível será nosso futuro."
O Brasil já é um grande parceiro para o porto, responsável pela movimentação de cerca de 5 milhões de toneladas anuais. Quase 80% do volume, cerca de 3,9 milhões de toneladas, tem sido de minérios. O executivo belga não revelou o nome das empresas com atuação no setor de biotecnologia com quem está agendando reuniões.
Ligado ao Mar do Norte através do canal marítimo artificial Ghent-Terneuzen, o porto ocupa superfície de 32 Km² e pode acomodar embarcações de até 80 mil toneladas brutas. Na última reforma foram feitos investimentos nos armazéns de refrigeração especial, a 25 graus negativos, para estocagem de suco de fruta concentrado.
Segundo Becquart, Ghent é hoje o terceiro maior porto da Europa.