Agricultura familiar terá processadora de R$1,6 milhões
Uma grande passo para a integração da agricultura familiar baiana com a produção de biodiesel será dado com a implantação de uma processadora de mamona no município de Lapão, administrada por cooperativas de produtores locais. O empreendimento contará com investimentos da ordem de R$1,6 milhão, provenientes do governo federal, e está previsto para entrar em operação em agosto.
Somente a Petrobras pretende adquirir mais de 170 milhões de litros de óleo bruto de mamona por ano, para atender à demanda das três usinas de biodiesel da companhia, que serão inauguradas em dezembro, nos municípios de Candeias, na Bahia, Quixadá, no Ceará e Montes Claros, em Minas Gerais.
“Vamos priorizar a produção da esmagadora do Lapão, por ser a única ligada à agricultura familiar”, afirmou o gerente de Implantação de Projeto Biodiesel da Petrobras, George Dias Mendes, durante o seminário Agroenergia e o Desenvolvimento Includente e Sustentável, realizado ontem, no Bahia Othon Palace Hotel (Ondina). “Para nós é muito mais vantajoso concentrar a compra no produto processado do que adquirir os grãos de produtores diversos. Facilita a logística e reduz os custos”, acrescentou Mendes.
Para os agricultores, a vantagem é a venda com maior valor agregado. “Com o processamento, os produtores passam do primeiro elo da cadeia, que é a produção do fruto, para o segundo. Não há perspectiva nenhuma de desenvolvimento da agricultura familiar se não for através das organizações coletivas. De outro modo, haverá sempre simples produtores”, considerou o diretor superintendente do Sebrae, Edival Passos.
Durante o evento, promovido pelo Sebrae, Secretaria de Agricultura do Estado da Bahia (Seagri) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), foram discutidos os entraves do desenvolvimento sustentável da agricultura familiar e a inclusão social dos milhares de pequenos produtores. Além da ampliação da participação dos pequenos produtores na cadeia produtiva dos biocombustíveis, o titular da recém-criada Superintendência de Agricultura Familiar da Seagri, Ailton Florêncio, apontou a necessidade do associativismo, da melhoria da assistência técnica e de uma política de produção de sementes.
“A universalização da assistência técnica resultará em apoio tecnológico, acesso à informação e impacto no acesso ao crédito. Em alguns municípios praticamente não existe relação do produtor com os bancos. E os bancos públicos não são tão públicos assim na base, estão muito mais voltados para o agrobusiness e deixam de lado os pequenos”, declarou Florêncio.
Segundo a Superintendência de Agricultura Familiar, a Bahia reúne hoje nada menos que 625 mil agricultores familiares, o maior contingente de todo o país. “Uma prova de que os produtores baianos precisam de incentivo é que, enquanto eles conseguiram recursos de R$370 milhões no ano passado provenientes do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), no Rio Grande do Sul o montante liberado foi de R$1,3 bilhão, para 200 mil agricultores”, observou o superintendente.
Entre as matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel, a Bahia tem maior tradição na produção de mamona – cerca de 300 mil hectares, concentrados na Chapada Diamantina e região de Irecê.