35 sem-terra passam mal na caminhada para Salvador

16/04/2007

35 sem-terra passam mal na caminhada para Salvador

 

 

Pelo menos 35 sem-terra se sentiram mal, na manhã de ontem, durante a caminhada com destino a Salvador. “A maioria dos atendidos é de pessoas que não se hidrataram muito bem, ou pessoas que não têm preparo físico para o esforço, como os idosos”, informou uma enfermeira que prestava atendimento aos acampados. Dentre enfermeiros, auxiliares de enfermagem, e um médico, a equipe que prestava atendimento aos sem-terra é formada por cerca de 25 pessoas.

Através de parcerias com os governos municipais, os trabalhadores conseguiram que ambulâncias os acompanhassem até as fronteiras dos municípios por onde passam, o que se verificou na cidade de Candeias.

Na manhã de ontem, os 5 mil trabalhadores estavam acampados a cerca de 26 km da capital baiana, no km-598 da BR 324, nas imediações de Simões Filho, município da Região Metropolitana de Salvador (RMS). A intenção do grupo é chegar a Salvador amanhã, quando devem acampar na Rótula do Abacaxi, à espera de uma Sessão Especial na Assembléia Legislativa do Estado. A audiência está marcada para a terça-feira e deverá ter como tema central os conflitos agrários e a cobrança de maior agilidade no processo de reforma agrária.

Ainda na sexta-feira desta semana, representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e do Movimento dos Trabalhadores Assentados, Acampados e Quilombolas (Ceta) estiveram reunidos com o secretário estadual da Agricultura, Geraldo Simões. Representantes das organizações informaram ter enviado ao secretário uma série de reivindicações dos trabalhadores rurais, entre as quais a arrecadação das terras devolutas para assentamento, fornecimento de infra-estrutura para as famílias já assentadas, além da ampliação dos convênios de cooperação técnica com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Os sem-terra afirmaram decepção após o encontro com Geraldo Simões realizado anteontem. “O secretário mal conhecia o documento.

Simplesmente não leu, o que nos causa estranhamento, pois foi enviado há pelo menos três meses”, observa o dirigente nacional do MST na Bahia, Márcio Matos. O dirigente afirmou reconhecer que o Governo Jaques Wagner ainda está em seu início, mas “ao menos uma direção, ou encaminhamento da questão agrária já poderia ter sido apontado”, afirmou.

Grande parte dos sem terra já está sentindo o cansaço da viagem.

Partindo de regiões de todo Estado, o grupo se reuniu no último dia 9, em Feira de Santana, a 115 km de Salvador. O MST e a Ceta ainda colocaram à disposição do grupo 13 caminhões de apoio, mais uma série de automóveis de pequeno porte.

Em 17 de abril de 1996, ocorreu o massacre de Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, no qual 19 sem terra foram mortos. A caminhada serve para marcar a data.