Biodiesel ainda não é o ideal

16/04/2007

Biodiesel ainda não é o ideal

 

Na integração das cadeias produtivas das bioenergias (o que inclui desde o carvão vegetal até os biocombustíveis) pode estar a saída para a produção sustentável do etanol e do biodiesel. A opinião é do sociólogo e economista Ignacy Sachs, professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, França.

O pesquisador esteve em Salvador, ontem, durante o seminário Agroenergia e Desenvolvimento Includente e Sustentável, promovido pelo Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae). “O estrago provocado pelas mudanças climáticas por conta do uso de combustíveis fósseis já está sendo percebido e vai se agravar nas próximas décadas”, avalia Sachs.

Durante a sua palestra, Sachs advertiu quanto ao risco de que o fomento à produção dos biocombustíveis – em especial o etanol da cana e o biodiesel a partir das oleaginosas – concorra com a produção de alimentos, o que agravaria a exclusão social. “Vimos recentemente o exemplo do México, no qual a população saiu às ruas contra o aumento no preço do milho”, relembra o professor.

Ele se refere ao recente episódio no qual os produtores mexicanos incrementaram a venda de milho para a produção de etanol nos EUA, o que reduziu os estoques e causou uma disparada nos preços do grão no País.

O professor avalia que, apesar do quadro, os biocombustíveis podem contribuir para o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar e, com isso, promover a inclusão social dos pequenos produtores rurais. Na sua avaliação, o objetivo pode ser alcançado a partir da integração das cadeias produtivas, com o exemplo do uso das tortas e farelos das oleaginosas para a alimentação de animais e adubo agrícola.

“As perspectivas de integração das cadeias podem se tornar ainda mais viáveis, com a produção de etanol a partir da celulose”, avalia.

Sachs prevê que, com viabilização do etanol celulósico, todos os resíduos vegetais e florestais passarão a constituir insumo básico para a obtenção do combustível, o que poderia aproximar a produção de etanol das cadeias de produção de florestas plantadas.