Criador em busca de bezerro barato

18/04/2007

Criador em busca de bezerro barato

Pecuarista está precisando buscar animais no Norte do País para repor o gado abatido. O pecuarista está buscando bezerro longe para fazer a reposição do rebanho. O preço do animal subiu entre 20% e 50% nas principais regiões produtoras do País em 12 meses. A escassez de bezerros é decorrente do abate das matrizes ocorrido nos últimos anos e do aumento da demanda dos frigoríficos - principalmente para atender ao mercado externo. O preço da cria nesta região e no Sul está superior ao de São Paulo, antes referência. Enquanto no Rio Grande do Sul o animal é comercializado a R$ 500, no interior paulista sai a R$ 410. "Não existe mais fronteira para o bezerro. O produtor está buscando os animais longe", diz Fabiano Tito Rosa, analista da Scot Consultoria. As novas fronteiras da agropecuária - Tocantins, Pará e Rondônia - seriam os fornecedores dos animais. Em Rondânia, por exemplo, o bezerro é comercializado a R$ 340.


"Sem matriz não se produz bezerro", afirma José Vicente Ferraz, diretor da AgraFNP. Segundo a consultoria, o abate de fêmea cresceu 40% em quatro anos, decorrente do chamado ciclo pecuário baixo - ocasião em que as cotações do boi gordo chegaram aos menores patamares dos últimos 30 anos, R$ 49 a arroba em junho de 2006. De acordo com a empresa, em 12 meses o pecuarista teve redução de seu poder de compra de quase 15%. Há um ano, em Mato Grosso do Sul com um boi terminado, o produtor comprava 2,8 bezerros. Hoje adquire 2,41 - segundo a AgraFNP. Para ele, a escassez de oferta é sinal de reversão do ciclo pecuário.

Dissonante


O analista Paulo Molinari, da Safras & Mercado, não acredita em mudança de ciclo - exceto no Rio Grande do Sul. Segundo ele, só há esta mudança quando a relação de troca está abaixo de 2 bezerros para um boi terminado. De acordo com Molinari, no Rio Grande do Sul a relação de troca está em 1,7 bezerros. "Lá o problema foi estrutural, o estado perdeu o perfil exportador e precisou se desfazer de matrizes", afirma.

Na avaliação do analista, no Centro-Oeste o que ocorre é o aumento da demanda em virtude da instalação de novos frigoríficos na região e do maior abate de animais. Segundo suas estimativas, o País precisa de até 6 milhões de bezerros para reposição. "A cada ano o abate é maior para atender a exportação. Não é um ciclo"."O pecuarista está vendendo o boi e já realizando a reposição, às vezes aceitando preços mais altos sob o risco de não conseguir comprar todo o lote. A demanda é grande porque o abate está elevado", conclui. De acordo com o analista, apenas no primeiro bimestre do ano os abates subiram 4,8%. Em sua avaliação, uma alta nos preços do bezerro neste momento deve ser considerada favorável, pois incentiva os criadores a aumentar o número de matrizes e a oferta futura de animais de reposição.

No Centro-Oeste, segundo dados da Safras & Mercado, a relação de troca está em 2,4 - enquanto em São Paulo é de 2,5. De acordo com Molinari, o modelo paulista de reposição está mudando. "Com a cana invadindo, aumenta o confinamento e a compra de boi magro", diz. Segundo ele, é uma tendência de que a partir de agora o balizamento do mercado saia de São Paulo para o Centro-Oeste. Em outras ocasiões, a relação de troca naquela região seria maior que a de São Paulo, cerca de 2,6 bezerros.