Comunidade ainda questiona as explicações dos laudos

19/04/2007

Comunidade ainda questiona as explicações dos laudos

“Que mistério é esse? Por que só ocorre aqui?”, indagava o capataz da colônia de pescadores de Bom Jesus dos Pobres, Genivaldo dos Santos, enquanto guiava a canoa motorizada pela costa do município de Saubara, ontem à tarde. Impressionado com as novas manchas escuras vistas na área, ele se esforça para buscar uma explicação. “Não me tenha como ignorante, sou primário, mas isso não é maré vermelha. Ninguém acredita nisso”, disse.

“No dia do início da mortandade, (6 de março) isso aqui parecia Iraque contra EUA, de tanto estrondo de bombas”, afirmou. Ele acha que os explosivos podem ter atingido dutos com produtos químicos que passam pela área.

A falta de explicações sobre as causas da maré vermelha e a ocorrência de novas manchas no mar também intrigam Marta Maria Moreira, da Secretaria de Meio Ambiente de Saubara.

“Alguém tem que tomar uma providência, dizer o que tem que ser feito. Cada um diz uma coisa e ninguém esclarece as causas”, afirmou.

De acordo com a coordenadora de fiscalização do Centro de Recursos Ambientais (CRA), Carla Fabíola, não há novos dados sobre a questão da maré vermelha que foi diagnosticada como a causa da mortandade dos peixes e divulgada em laudo oficial no último dia 4. “Se tivesse algo que trouxesse dado novo, seria informado à sociedade”, disse, justificando o fato de não ter sido divulgado o relatório ao qual se referiu o diretor de fiscalização Ronaldo Martins em entrevista a A TARDE no dia 13.

No laudo, a explicação para a maré vermelha se refere a “uma conjunção de fatores climatológicos e de disponibilidade de nutrientes que resultaram na floração de microalgas, com abundância Gymnodynium sanguineum, fenômeno conhecido como maré vermelha, que causou asfixia por colmatação de brâquias e por lesão brânquias”.

Em relação ao clima, a falta de chuvas em março foi evidente, mas o órgão ambiental ainda não explicou, em laudo técnico, o que vem a ser a “disponibilidade de nutrientes” que levou à proliferação das microalgas. (MA)