Tupinambás reclamam do atraso na demarcação
Os 6.500 tupinambás, reunidos em quatro aldeias, em Ilhéus, distante 467 km ao sul de Salvador, pouco tiveram a comemorar no Dia do Índio. Há oito anos, um estudo antropológico da Universidade Federal da Bahia (Ufba) os reconheceu como etnia, mas a maioria ainda vive dispersa, trabalhando em fazendas, à espera da demarcação dos 72 mil hectares que reivindicam de seu território original, entre os municípios de Ilhéus, Una e Buerarema.
Nesse espaço, querem resgatar o legado cultural perdido, desde setembro de 1937, durante o massacre em que morreu o caboclo Marcelino, líder tupinambá que era contra a construção de uma ponte sobre o Rio Cururupe, para evitar que o homem branco invadisse seu território. Ontem, entretanto, seus descendentes se pintaram de vermelho e preto e dançaram o porancin, a dança sagrada da tribo, para festejar um protocolo assinado com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), que acena com melhoria na qualidade de vida da comunidade.
A cerimônia aconteceu na aldeia Tucum, à margem do Rio Curupitanga, entre a região do Cururupe e Olivença, litoral sul de Ilhéus. Segundo o presidente da Associação Cultural e Ambientalista dos Índios Tupinambás, Cláudio Magalhães, a parceria vai facilitar a confecção, em escala comercial, do artesanato feito em piaçava, cultivo que garante o sustento de toda a comunidade. As peças são vendidas para turistas no centro de Ilhéus e no balneário da Tororomba, em Olivença. O protocolo também apóia a construção de um viveiro de mudas nativas, para reflorestar 92 km² de Mata Atlântica degradada.
ESTUDO – A grande inquietação da comunidade Tupinambá é com o novo estudo da Fundação Nacional do Índio (Funai), que propõe refazer o mapa que define as terras da tribo. “Isso vai atrasar ainda mais a demarcação de nosso território”, critica o cacique Rosevaldo de Jesus Carvalho. Essa indefinição, segundo ele, alimenta o clima de tensão, por causa das ocupações de fazendas que os índios estão fazendo nos três municípios. A luta pela terra dividiu os tupinambás em Olivença, Tucum, Acuípe e Serra do Padeiro.
Além da luta para se organizar em seu território, os tupinambás reclamam da deficiente assistência de saúde oferecida pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Segundo o cacique Rosevaldo Carvalho, a cada 15 dias os índios são atendidos na aldeia por uma equipe do Programa de Saúde Indígena, mas não têm remédio.
A má qualidade da água na aldeia está provocando diarréia nas crianças.