Entressafra e alta internacional fazem cotação do leite disparar
A entressafra e a forte demanda no mercado internacional fizeram as cotações do leite disparar no país. O preço médio pago ao produtor nacional alcançou R$ 0,53 por litro em abril passado, segundo levantamento da Scot Contultora. O valor, referente ao leite entregue em março, é 7,7% superior ao do mês anterior e o maior em termos nominais desde julho de
2005. O Índice de Captação de Leite do Cepea mostra que o volume de leite captado pelas indústrias em março diminuiu 7,9%. Já o preço subiu 3,98% na média de sete Estados, segundo o Cepea.
Há uma queda no volume de produção por causa da entressafra, período em que diminui a disponibilidade de pasto para os animais, explica a veterinária Cristiane de Paula Turco, da Scot. Isso ocorre num momento de reação no consumo doméstico e de forte alta dos preços internacionais.
A analista cita números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que mostram que em abril, as cotações do leite em pó ficaram entre US$ 4.300 e US$ 4.900 por tonelada no mercado internacional ante uma faixa de US$ 2.100 a US$ 2.250 em igual mês de 2006.
Rodrigo Alvim , presidente da Comissão Nacional da Pecuária de Leite da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), afirma que a alta no mercado internacional estimula as exportações, apesar do que chama de "distorção do câmbio". Ele destaca que em março, o país voltou a ter superávit na balança de lácteos por conta dos preços mais altos.
As vendas externas somaram US$ 13,575 milhões enquanto as importações totalizaram US$ 10,812 milhões em março, conforme a Secex. Apesar do saldo positivo, os embarques recuaram ante março de 2006, quando ficaram em US$ 16,924 milhões. Naquele mês de 2006, as importações somaram US$ 13,393 milhões.
Os preços apurados pela Secex já refletem o aquecimento da demanda. A tonelada do leite em pó integral registrou preço médio de US$ 2.590 por tonelada em março passado, 22,2% acima dos US$ 2.120 no mesmo mês de 2006.
"O mercado externo é comprador, por isso as indústrias estão disputando leite", afirma Alvim, explicando a alta dos preços pagos ao produtor nacional. De acordo com ele, as cotações domésticas começaram a subir em janeiro deste ano, ou seja desde o período de safra, por causa da demanda externa aquecida e da menor oferta de leite de países exportadores.
"Com a entrada de mais 10 países na União Européia, o bloco deixou de exportar para atender aos novos membros", afirma. Outro efeito dessa "saída" da UE do mercado é a redução dos subsídios à exportação. "Se a UE não exporta, não justifica manter os subsídios". Segundo ele, com custos elevados de produção - ao redor de US$ 4.800 por tonelada, no caso do leite em pó -, a UE só consegue vender exportar com subsídio.
ALDA DO AMARAL ROCHA