O Brasil é um dos líderes na produção de biocombustíveis

04/05/2007

O Brasil é um dos líderes na produção de biocombustíveis

O Brasil é um dos países mais competitivos do mundo quando se trata da produção de biocombustíveis. Com grande capacidade produtiva e abundância de matérias-primas advindas de fontes renováveis, como as de origem vegetal (cana, mamona, madeira), o país assume a liderança da fabricação de combustíveis que podem substituir o petróleo. Um exemplo é o biodiesel, obtido a partir de óleos como o de girassol, mamona, dendê, pinhão e soja, e que substitui parcialmente o óleo diesel em motores de cami nhões, e carros de passeio e ge radores, por exemplo.

Uma possível descentra lização, que tiraria da região do Oriente Médio o controle sobre a produção de combustíveis, beneficiaria não só o Brasil, mas vários outros mercados, uma vez que estariam todos menos susceptíveis às variações de preços decorrentes dos conflitos internacionais e das ameaças de guerra. O maior benefício, no entanto, é o ambiental. A queima dos derivados de petróleo influi de forma determinante e negativa para o aquecimento global, porque libera dióxido de carbono na atmosfera.

Embora, nos últimos anos, a adoção do biodiesel tenha sido colocado em pauta no Brasil com a criação do Programa Brasileiro de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) pelo governo federal, em outubro de 2002, a discussão sobre esse tipo de combustível é muito mais antiga e não nasceu aqui. De acordo com registros históricos, o pesquisador que desenvolveu o motor a diesel, Rudolf Diesel, expôs suas descobertas usando óleo extraído a partir do amendoim.

Como o petróleo acabou se revelando um combustível mais barato, passou a ser utilizado em larga escala, postergando o uso do óleo de origem vegetal. Atualmente, a Alemanha lidera a produção européia de biodiesel e já tem uma rede de abastecimento que vende o biodiesel puro (B100).

Em toda a Europa, são produzidos mais de 1 bilhão de litros por ano, com um crescimento anualmédio de 30 %.

No Brasil, o primeiro grande programa de substituição dos derivados de petróleo foi o Proálcool, lançado em 1975, com o objetivo de evitar a dependência do petróleo e o impacto das mudanças bruscas de preço.

A partir de janeiro do ano que vem, todo o diesel fornecido no Brasil terá obrigatoriamente 2% de biodiesel (B2) incluídos. Em 2013, esse percentual subirá para 5% (B5).

A intenção de iniciativas deste tipo é diminuir o impacto ambiental, mas é necessário que a adoção dos biocombustíveis seja avaliada com critério para que não se "cubra um santo descobrindo o outro".

Mas para o professor e coordenador do Laboratório de Energia e Gás da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBa), Ednildo Andrade Torres, o Brasil precisa pensar grande e ter como objetivo a exportação e não apenas o suprimento do seu mercado interno. "A produção do biodiesel não pode se basear em uma única oleaginosa. Deve ser diversificada e regionalizada para evitar a monocultura.

A Bahia tem algumas vantagens, como o fato de ser o sétimo maior produtor de soja do país e o primeiro produtor de mamona, responsável por cerca de 80% de toda a produção nacional." Em termos comparativos, a soja tem melhor produtividade.

Enquanto gera cerca de 300 kg de óleo por hectare, com a soja esse volume pode chegar a 500 kg. Para o professor Ednildo Andrade Torres, "o mais interessante seria viabilizar a produção por agricultura familiar, gerando benefícios para o meio ambiente e também para a área social. Mas para isso seria necessário que os produtores rurais recebessem inventivo de crédito e apoio tecnológico, o que poderia aumentar o emprego no campo e desenvolver o setor agrícola", sinaliza.

O coordenador da Rede de Tecnologias Limpas e Minimização de Resíduos (Teclim), Asher Kiperstok, concorda: "O biodiesel contribui no caminho da minimização dos impactos, mas deve-se encontrar um padrão de produção que seja social e ambientalmente includente.

Não adianta produzir biodiesel com o padrão da cana, por exemplo, com empregos de baixa qualidade, queimadas e destruição. É preciso também pensar na educação para evitar o aumento no desperdício, ao tirar das pessoas o peso da responsabilidade sobre a poluição".