Estudo mostra avanço da cana-de-açúcar e condições de produção

04/05/2007

Estudo mostra avanço da cana-de-açúcar e condições de produção

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, lançou ontem na 14 edição da Agrishow Ribeirão Preto, uma edição especial do "Balanço Nacional da Cana-de-açúcar e Agroenergia - ano 2007". A publicação foi elaborada pela Secretaria de Produção e Agroenergia, que é vinculada ao ministério, apresenta dados consolidados sobre a evolução da produção brasileira de cana e seus produtos desde a safra 1948/49. O estudo aborda os resultados alcançados com o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), criado em 1975, a evolução ocorrida nesse período até a safra 2005/06.


"Em comparação a outros países, o Brasil possui uma Matriz Energética bastante limpa", afirma o estudo. A participação das energias renováveis no total da energia primária ofertada internamente está próxima a 45%, enquanto que nos demais países essa participação corresponde, em média, a 13%. Em sua maior parte, o componente renovável da matriz energética brasileira se deve à geração hidroelétrica de energia. Os derivados da cana-de-açúcar, entretanto, merecem posição de destaque, uma vez que representa 14% da energia primária. Isso sem levar em conta a concomitante produção de açúcar, onde o Brasil é principal produtor e exportador mundial".


A participação da cana-de-açúcar na formação da matriz energética também leva em consideração, além do álcool, o aproveitamento do bagaço da cana, destinado basicamente à geração de energia elétrica. Essa energia supre toda a demanda das unidades produtoras e ainda gera excedentes exportáveis à rede de elétrica. O balanço estará disponível no site do Ministério da Agricultura. Segundo Stephanes, o Brasil tem as melhores condições do planeta para produzir álcool. Para ele, as barreiras tarifárias às exportações do biocombustível são complexas. O ministro acredita que deverão cair lentamente, por etapas. No caso do etanol, no entanto, pode ser eliminadas mais rapidamente, disse o ministro.


O biodiesel, no entanto, segundo Stephanes, "pode se tornar tecnicamente viável, mas isso depende de que o programa se desenvolva de forma adequada. "É preciso pesquisar e definir plantas de acordo com as características de cada região do País". Stephanes recomenda novas pesquisas, alertou o ministro. A produção nacional é de 800 milhões de litros e 80% vêm da soja, o que não é totalmente indicado para algumas regiões que necessitam de mais ajuda social, afirmou Stephanes. "Dentro de quatro a seis anos teremos boas perspectivas para o biodiesel, como ocorreu com o álcool ao longo de 30 anos".

EDSON ÁLVARES DA COSTA