Riqueza no cultivo de oleaginosas

07/05/2007

Riqueza no cultivo de oleaginosas

O Brasil, pela sua extensão territorial e excelente condição climática, é considerado como um dos países mais propícios para a exploração de biomassa para fins alimentícios, químicos e energéticos. Existem no país inúmeras espécies vegetais oleaginosas que podem ser utilizadas para a produção do biodiesel, como mamona, soja, algodão, girassol, dendê, amendoim, babaçu, pequi, pinhão-manso e nabo forrageiro.


A Petrobras está desenvolvendo seus três primeiros projetos de produção industrial de biodiesel em Candeias, Bahia; Montes Claros, em Minas Gerais; e Quixadá, no Ceará. O biodiesel será produzido a partir de vários óleos vegetais e gordura animal, e cada usina terá capacidade para produzir até 57 milhões de litros anualmente. O investimento total é de, aproximadamente, R$ 227 mi lhões, e o início da operação nas três unidades está previsto para o final deste ano.


O suprimento de matériaprima para a produção de biodiesel será priorizado pela Petrobras a partir da agricultura familiar, pelo menos na quantidade necessária para a obtenção do Selo Combustível Social. O Selo, concedido pelo go verno federal, garante ao produtor de biodiesel direito a benefícios de políticas públicas específicas voltadas para estimular a inclusão social de agricultores familiares na cadeia produtiva de biodiesel. A iniciativa visa contribuir para o fortalecimento dos agricultores e suas coo perativas, estimulando o aumento da produção de mamona, algodão, dendê e, futuramente, outras oleaginosas, como o girassol, o amendoim e o pinhão-manso.


A Petrobras também está articulando com o Ministério de Desenvolvimento Agrário e secretarias de Agricultura estaduais e municipais para o desenvolvimento da cadeia produtiva de oleaginosas nas proximidades das usinas. O Banco do Brasil e o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) estão participando deste processo para garantir o financiamento. Já a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e outros órgãos de desenvolvimento, como a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) da Bahia estão contribuindo com a tecnologia agrícola.


Apenas, nas três primeiras unidades de biodiesel da Petrobras, cerca de 70 mil famílias de agricultores poderão ter emprego e renda. De acordo com o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do estado, Ildes Ferreira, a Bahia se destaca por apresentar excelentes condições de produção de matéria-prima para o biodiesel.


"Trata-se de um local estratégico para o governo federal poder cumprir as metas previstas no programa, pois dispõe de enorme potencial para a produção do biocombustível devido à excelente infra-estrutura logística para distribuição de combustíveis." O estado é o maior produtor nacional de mamona, com 92% da produção nacional; segundo maior produtor de algodão, conta com o maior número de municípios zoneados para o plantio da cultura da mamona, e possui excelentes condições de clima, solo e disponibi lidade de áreas para novos plantios.


Para a diretora de fortalecimento tecnológico empresarial da Rede Baiana de Biocombustiveis, Telma Cortes, a Bahia apresenta grande diversidade de matérias-primas utilizadas para a produção de biodiesel. "Somos ricos no cultivo da mamona, soja, dendê, algodão e girassol", afirma, destacando que as universidades Federal da Bahia (UFBa) e Estadual de Santa Cruz (Uesc) vêm desenvolvendo pesquisas sobre o tema, e já contam com modernos laboratórios para análise de qualidade do combustível e avaliação de desempenho de emissões de motores.


Outra oleaginosa importante na produção de biocombustivel é a soja, que encontra na Bahia condições extremamente favoráveis ao seu desenvolvimento. Com isso, foram atraídas indústrias de esmagamento para a produção de óleo e farelo, incentivando a produção de milho e as agroindústrias de ração, de suínos e aves, sobretudo na região oeste do estado.


O algodão é outra alternativa viável para a produção de biodiesel. O apoio a esta cultura é dado pelo Programa de Desenvolvimento da Cultura do Algodão no estado da Bahia, que tem como objetivo colocar o estado entre os maiores produtores do país. Para tanto, elegeu-se o oeste baiano para o desenvolvimento da cotonicultura por ser uma região que reúne todas as condições favoráveis ao cultivo com competitividade.


Segundo o Zoneamento e Época de Plantio da Mamoneira para o Nordeste Brasileiro, da Embrapa Algodão, foram identificados 452 municípios com aptidão para o cultivo desta cultura em condições de sequeiro. Desse total, 189 municípios estão localizados no estado da Bahia, representando 41,8% dos municípios da região.
O girassol é uma das quatro maiores culturas oleaginosas produtoras de óleo vegetal com utilização no mundo. As sementes são ricas em óleo com teores variando entre 30% e 50%. A planta possui aproveitamento integral, sendo utilizada como forragem, silagem e adubo verde. O grão é fonte de proteína na alimentação humana e animal, sendo o óleo utilizado na alimentação humana, na fabricação do biodiesel e na indústria cosmética.


O pinhão-manso é mais uma alternativa que vem se destacando, podendo ser cultivado desde o nível do mar até em altitudes superiores a 1000 m. Trata-se de uma oleaginosa que produz bem em terras de pouca fertilidade, com colheita que se estende por cerca de seis meses. Além disso, é uma planta socialmente correta, pois sua colheita é manual, e temos no Brasil mi lhões de trabalhadores sem qualificação profissional e ecologicamente correta, por não usar agrotóxicos, ao menos por enquanto.