Safra de soja anima produtores baianos
Com 2,3 milhões de toneladas, a safra 2006/2007 de soja da Bahia teve uma recuperação de 18,4% em relação à safra passada, que somou 1,9 milhões de toneladas.
Com este resultado, a região do cerrado baiano, única no Estado que produz soja, passa a responder por 4% da produção nacional de soja e 56% do total produzido na Região Nordeste.
O desempenho da cultura, entretanto, ficou abaixo da safra 2003/2004, que somou 2,5 milhões de toneladas. Em relação à safra 2005/2006, a produtividade este ano teve um aumento de 16%, passando de 38 sacas por hectare para 45 sacas por hectare, apesar de todos os municípios produtores terem registrado a ocorrência do fungo causador da doença conhecida como ferrugem asiática, presente na região desde 2003.
De acordo com o diretor-executivo da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Alex Rasia, os produtores do Estado aprenderam a conviver com a ferrugem e, além de se capacitarem, fizeram bom uso da tecnologia.
“Essas ações não apenas ajudaram a combater a doença, mas otimizarama produção, o que explica o aumento nos números alcançados pela cultura, mesmo com a ocorrência da doença”, destaca.
O primeiro foco desta safra ocorreu no final de dezembro de 2006 e, segundo a pesquisadora da Fundação Bahia, Mônica Martins, a ferrugem asiática foi favorecida pela antecipação das chuvas na região que permitiu um período maior de semeadura. Condições climáticas específicas, fortaleceu o desenvolvimento do fungo, que veio com muita força”, disse.Os números desta safra, conforme os sojicultores, só foram alcançados graças à implementação do Programa Estratégico de Manejo da Ferrugem Asiática, coordenado pela Aiba e executado pela Fundação Bahia, Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) e a Embrapa Soja.
REFERÊNCIA – Implantado na safra 2003/2004, o programa se tornou uma referência nacional, sendo adotado por outros Estados produtores de soja. Entre outras ações, os sojicultores são incentivados a fazer o acompanhamento diário da lavoura, para identificar a doença tão logo ela se manifeste.
Assim eles evitam que a doença ganhe força, prejudicando o desenvolvimento das plantas e comprometendo assim o crescimento dos grãos.
O resultado desta safra reflete também o aumento no número de aplicações de fungicidas. No ano passado, a média de aplicações ficou em 1,7. Nesta safra, a média foi de 2,5 aplicações. No ano que surgiu na Bahia, a ferrugem causou perdas de 30% nas lavouras e prejuízos de US$ 150 milhões, considerando as perdas de produção e os custos com aplicação de defensivos agrícolas.
COMERCIALIZAÇÃO – Para a safra 2006/2007, houve mudanças conjunturais na comercialização da soja, de acordo com o consultor de agronegócios Ivanir Maia. Nas safras anteriores, o grão era comercializado basicamente por duas grandes indústrias esmagadoras instaladas na região, com um pequeno percentual destinado à região Nordeste.
Ele explica que a região produtora intensificou a exportação e pelo menos 100 mil toneladas do produto já deixaram a Bahia este ano pelo Porto de Aratu. Outro diferencial dos anos anteriores foi a entrada no mercado regional de cinco empresas compradoras para exportação, que estão se utilizando dos portos de Ilhéus e Vitória.
A procura intensa pela soja da Bahia resultou em uma reação favorável nos preços. No final do mês de abril, a saca de 60 quilos estava cotada em R$ 24,50 e no início de maio já foram fechados negócios a R$ 28 a saca. Esse conjunto de fatores está modificando o cenário da comercialização, provocando um impacto positivo ao setor produtivo.
MIRIAM HERMES