Biofábrica assume monitoramento
As ações de monitoramento da mosca-das-frutas no Vale do São Francisco, que até o mês passado eram feitas pela empresa Valexport, passaram para a Biofábrica Moscamed Brasil e, agora, já com a nova denominação de armadilhamento e controle. A Valexport coordena o setor de exportações do vale desde 1989.
De acordo com Aldo Malavasi, presidente da Biofábrica, a migração foi acordada com o Ministério da Agricultura, Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, representantes da área de fiscalização e exportação da Bahia e Pernambuco e o BGMA (Brazilian Grapes Marketing Association).
Inaugurada oficialmente em agosto do ano passado, a Biofábrica produz seis milhões de machos estéreis por semana. Fora dos laboratórios, atua como centro de capacitação e de treinamento no combate à mosca-das-frutas nos perímetros irrigados de Juazeiro (Curaçá, Tourão, Maniçoba e Mandacaru) e Livramento de Nossa Senhora, na Bahia, e Petrolina (Nilo Coelho, Maria Tereza e Bebedouro), em Pernambuco.
Também, mantém armadilhamento e controle em áreas dos municípios de Casa Nova, Curaçá e Sento Sé, na Bahia, e Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista, Cabrobó, Belpem do São Francisco e Ibó, em Pernambuco.
O novo programa será executado pelo armadilheiros – técnicos agrícolas contratados pela Biofábrica com a missão de realizar atividades de armadilhamento e controle químico e biológico em áreas até 10 hectares. Em área superior a *10 hectares, as ações de controle serão feitas pelos proprietários, sob orientação da Biofábrica.
“Usamos uma armadilha para cada dez hectares”, informa Rodrigo Viana, supervisor de campo da Biofábrica, citando dois tipos de armadilha: a MC Phail, em 90% dos casos, não é específica e age como atrativo alimentar de todos os tipos de mosca, e a Jackson, em 10% dos casos, usada para feromônios, que atrai o macho da moscadas-frutas ( Ceratitis capitata).
De acordo com o supervisor, essa mosca representa 99% das capturadas. “Em 1989, quando começaram a fazer o monitoramento da mosca-das-frutas na região, quase não esta variedade, não mais que 1% na zona urbana. A expansão agrícola, a capacidade de adaptação pela diversificação de culturas e a falta de controle fizeram aumentar o número”, explica o agrônomo, dizendo que as culturas de manga, uva, goiaba e acerola são os principais hospedeiros da moscadas-frutas.
“Há uma grande motivação diante do trabalho desenvolvido pela Biofábrica porque os produtores entendem a importância e as vantagens de se fazer o armadilhamento”, ressalta Rodrigo Viana. O trabalho custa, por mês, R$ 11,63 por hectare. A aceitação vem da necessidade da exportação, pois, sem o controle da mosca-das-frutas, não há como estar no registro, feito pelo Ministério da Agricultura, para habilitação e credenciamento para exportação.
E os dados para compor este registro saem da Biofábrica. “É um pré-requisito e isso está fazendo cada vez mais com que os produtores acreditem no trabalho da Biofábrica Moscamed”, conclui o agrônomo Rodrigo Viana.