Produtor da região se queixa de concorrência desleal
As brechas deixadas pelas barreiras sanitárias favorecem atos ilícitos, que prejudicam a economia local e atingem, diretamente, pequenos e médios produtores. Esta é a opinião do bananicultor Crésio Lima, cuja área plantada de 50 hectares teve que ser reduzida para 35 hectares por conta, segundo sua queixa, de concorrências desleais.
Crésio Lima, com plantação no município de Barra do Choça, a 27 km de Vitória da Conquista, cultiva banana sem modificação genética há anos, mas pensa em reduzir mais a sua lavoura, “até que a legislação seja cumprida na região sudoeste”, diz ele, alegando que a banana produzida fora da Bahia é híbrida.
Na região sudoeste, as péssimas condições das estradas vicinais ampliam as dificuldades, adverte o produtor, que denuncia o que chama de “estratégia criminosa” para a banana mineira chegar madura ao mercado baiano.
“Eles utilizam no trato químico um produto chamado ethrel, para que a maturação ocorra por igual“, diz ele. O ethrel, marca comercial do composto chamado ethephon, ou ácido 2-cloroetilfosfônico, é usado na agricultura com várias finalidades, dentre as quais a indução da maturação, uma vez que o produto libera o etileno nos tecidos vegetais.
”A coisa anda tão solta que nem sequer a quantidade de banana que entra ilegalmente em Conquista a gente pode estimar. Não se tem controle, mas estimo uma média, por baixo, de sete toneladas, o que equivale a três caminhões médios carregados”, lamentou.
Mesmo com a área reduzida, a região plantada com banana em Barra do Choça tem resistido. Um dos fatores favoráveis é a estratégica posição geográfica, 700 metros acima do nível do mar, beneficiada por um índice pluviométrico de 1,6 mil milímetros/ano (no restante da região não chega a mil/ano).
O centro fica em Barra Nova, maior produtor de banana da região sudoeste, a 15 km de Barra do Choça e a 537 km de Salvador. Devido a essas especificações, as espécies são nativas, ao contrário das demais regiões do Estado, que plantam bananais modificados geneticamente, para suportar intempéries e resistir às pragas.
Crésio Lima diz que os produtores esperam tempos melhores, com incentivos, para ampliar a área plantada – que atualmente ultrapassa os mil hectares. A intenção é dobrar a produção semanal de 30 toneladas ainda este ano. O plantio na região ocorre de outubro a março e a colheita é feita durante o ano inteiro.
No município de Barra Nova, isso é possível, explica o produtor, por causa do elevado índice de pH (potencial hidrogênico), o que elimina a necessidade de correção do solo. A muda da banana resiste até 45 dias sem chuva. Um dos mais entusiasmados com isso é o próprio Crésio Lima, que há mais de 20 anos se dedica à atividade na região.