CFC avalia projetos de financiamento

07/05/2007

CFC avalia projetos de financiamento 


O Fundo Comum de Commodities (CFC, sigla em inglês), organismo estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para estimular o crescimento econômico de países em desenvolvimento, começa a definir hoje, em evento em Brasília, seu plano de investimentos para o qüinqüênio 2008-2012. 


O CFC tem 107 países-membros e, desde 1992, já financiou 200 projetos agrícolas, num total de US$ 450 milhões. O fundo foi criado para financiar projetos para o desenvolvimento da produção de commodities em países em vias de desenvolvimento, com vistas à redução da pobreza. Luca Monge-Roffarello, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), observou que 80% dos países pobres dependem economicamente do plantio de commodities, mas os produtores recebem apenas de 4% a 10% do valor gerado com a produção. Por isso, a necessidade de elevar a sua rentabilidade. 


Nesse cenário, disse em entrevista ao Valor Ali Mchumo, diretor-geral do CFC, o Brasil terá papel fundamental na transferência de tecnologia para países em desenvolvimento, por sua proficiência em culturas tropicais e agroenergia. "Nossa meta é criar uma agenda comum entre os países-membros para a melhoria da produção e redução da pobreza." 


No Brasil, observa, o fundo já subsidiou 20 projetos, num total de US$ 26 milhões. Do total, US$ 4 milhões foram investidos em projetos para produção de arroz no Rio Grande do Sul. Outros US$ 1,4 milhão foram direcionados à substituição dos cacaueiros da Bahia por variedades clonadas, resistentes à vassoura-de-bruxa. O CFC também investiu US$ 3,5 milhões na produção bananeira do Brasil. 


Conforme Mchumo, o CFC avalia projetos no país que tenham por meta elevar a rentabilidade em regiões com alto índice de pobreza. "O valor a ser disponibilizado dependerá dos projetos apresentados e do recurso a ser doado pelo governo brasileiro", afirma. O fundo é composto por contribuições feitas pelos governos dos países-membros e por outros países colaboradores. Segundo Mchumo, o CFC também negocia a participação de fundos privados. 


O valor a ser disponibilizado para os financiamentos dos próximos cinco anos ainda não está fechado, dependerá das contribuições a serem efetuadas pelos países-membros. Do total a ser empregado, o CFC aplicará 50% em projetos na África, 25% na Ásia e 25% na América Latina e Caribe. 


O financiamento será concedido, via bancos, sob três formas: a fundo perdido, com cobrança apenas da taxa de serviço, para os países mais pobres; a juros de 3% a 4% ao ano e carência até seis anos e a juros próximos aos de mercado, no caso de países em melhor situação econômica (como o Brasil). 

CIBELLE BOUÇAS