Carne brasileira vale 9% mais no exterior
A exportação brasileira de carne bovina volta a crescer e registrou nesse primeiro quadrimestre alta de 34% em volume e de 43% em receita na comparação com igual período de 2006. O diferencial está no preço, 9% maior que nos primeiros quatro meses de 2006, resultado da exportação de cortes mais nobres, segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Marcus Vinicius Pratini de Moraes. O desempenho reforça as projeções do setor de ampliar este ano o volume exportado em cerca de 20% e, em valores, de 10% a 15%, diz Pratini.
Em números absolutos, a receita cambial com as exportações de carne bovina rendeu US$ 1,4 bilhão ao Brasil no quadrimestre, ante os US$ 992 milhões do mesmo intervalo de 2006. Além do acréscimo em volume, a receita foi beneficiada pelo impacto dos preços superiores do período. "Em abril esse indicador aumentou 2%, mas precisamos avaliar um período mais longo para ter melhor referência", explica Pratini.
Os responsáveis pelo incremento foram os cortes com maior valor agregado, como picanha, filé mignon e contra-filé e, ainda, a venda de produtos refrigerados para varejo, conforme detalha Pratini, que não soube especificar o aumento do volume de venda desses itens.
Além da União Européia, outros clientes são potenciais consumidores desses cortes nobres e estão sendo prospectados nos eventos internacionais feitos pela Abiec e parceiros. Entre eles, está o Marrocos, que tem um grande mercado turístico consumidor desse tipo de corte, segundo Pratini. No próximo dia 12, a entidade realizará evento no País sobre a qualidade da carne brasileira. Rússia e Hong Kong também são importantes mercados consumidores de cortes nobres de carne bovina, de acordo com o executivo.
Em volumes, o Brasil exportou de janeiro a abril deste ano, 888 mil toneladas de carne bovina, das quais 669 mil toneladas (75%) de carne ‘in natura’, ante os 71% do mesmo período de 2006. Em contrapartida, foi reduzida a participação das carnes industrializadas neste primeiro quadrimestre de 23% para 20%. Esse grupo tem como principal comprador os Estados Unidos que, no período, adquiriram 54 mil toneladas (29,8% do total industrializado), o equivalente à receita de US$ 103 milhões (42,3% da receita com carne industrializada).
Celeuma com UE. O presidente da Abiec preferiu não comentar as ameaças da União Européia de fechar as portas às carnes brasileiras. "Tratam-se de questões sanitárias e de rastreabilidade que envolvem ações de governos. Tenho certeza que o Brasil tem condições de implantar isso", resume. A UE é a principal consumidora da carne brasileira e, no ano passado, importou US$ 1 bilhão. O bloco europeu exige que o Brasil cumpra os padrões de qualidade exigidos pela UE, principalmente os relacionados ao controle da febre aftosa e à implantação da rastreabilidade.
FABIANA BATISTA