Frutas com um selo de qualidade
Boa parte do consumidor brasileiro desconhece as vantagens de adquirir frutas e produtos agrícolas avalizados pela Produção Integrada (PIN), um sistema de produção com técnicas voltadas para a cultura de alimentos de qualidade. A constatação, que aponta, ainda, para a necessidade de uma divulgação a respeito dos benefícios, foi feita durante encontro sobre planejamento da PIN, realizado na semana passada, em Salvador, pelo Ministério da Agricultura.
A produção integrada utiliza técnicas de manejo das culturas aplicadas com o mínimo de produtos agroquímicos. Com o uso racional dos recursos naturais e a redução de insumos poluentes (agrotóxicos), busca elevar o padrão de qualidade da produção de frutas e produtos agrícolas. “As normas técnicas específicas de cada produto asseguram uso da melhor tecnologia disponível, cumprimento da legislação brasileira para proteção do ambiente, da saúde, das relações trabalhistas e controle externo dos processos, mas o consumidor não sabe disso”, explicou para A TARDE Rural José Eduardo Borges de Carvalho, pesquisador da EmbrapaMandioca e Fruticultura Tropical, em Cruz das Almas, e coordenador da produção integrada de citros.
Segundo Fernando Cantillano, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS), o ingresso do agricultor no sistema de produção integrada “é um caminho sem volta”, pois, argumenta, “o sistema já é exigência mercadológica”. Ele diz que tanto o mercado interno quanto o externo demandam por produtos saudáveis e com menos agrotóxicos. “A Embrapa e os parceiros têm a missão de preparar o produtor para atender a estes mercados de forma igualitária. Não podemos produzir frutas com padrão diferente para cada um”, afirma, acrescentando: “A fase de divulgação e marketing é importante para que o consumidor compreenda o esforço que está sendo feito para que ele tenha uma fruta com qualidade”.
Também presente ao encontro, o coordenador da Produção Integrada da Cadeia Agrícola do Ministério da Agricultura, Luís Carlos Bhering Nasser, disse que o governo deverá realizar uma campanha de marketing, nos moldes da que foi feita com a PIN-maçã, na região da Serra Gaúcha, em março deste ano. “A maçã foi escolhida por ter sido a primeira cultura a ingressar na PIN, em 1998. Hoje, o produto certificado com o selo do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) está vendendo 22% a mais depois de uma campanha em supermercados”, afirma.
O conceito de produção integrada foi criado na Europa na década de 1970 e, atualmente, os principais países produtores da Europa, a Austrália, a Nova Zelândia e a África do Sul têm o sistema de PIN em funcionamento, especialmente no cultivo de maçãs. No Brasil, projetos abrangem 15 Estados em culturas de abacaxi, banana, caju, caqui, citros, coco, figo, goiaba, maçã, mamão, manga, mangaba, maracujá, melão, morango, pêssego e uva. A Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical coordena os projetos de citros (Bahia, Paraná, São Paulo e Norte de Minas Gerais), mamão (extremo sul da Bahia), abacaxi (Bahia, Paraíba e Tocantins) e banana (Minas Gerais e Bom Jesus da Lapa).