Dólar fraco afeta receita do Bertin com exportação

17/05/2007

Dólar fraco afeta receita do Bertin com exportação

 

A desvalorização do dólar em relação ao real deve afetar as receitas do grupo Bertin com as exportações este ano. Os volumes vão crescer, mas o faturamento com a venda externa de produtos como carne bovina, couro, itens de higiene e limpeza e equipamentos de proteção individual deve avançar menos de 10%. Foram US$ 1,007 bilhão em 2006, e a previsão é alcançar US$ 1,1 bilhão este ano, segundo Denizar Antunes, gestor de assuntos corporativos do grupo. "O crescimento será pequeno por causa do dólar", afirmou. 


O faturamento total do grupo, no mercado doméstico e na exportação, deve crescer de forma mais expressiva, de R$ 4,5 bilhões ano passado, para R$ 6 bilhões este ano. Parte desse avanço se dará por conta do aumento das vendas de alimentos no mercado doméstico. A expectativa é de crescimento de 20% a 25% na receita desse segmento, que foi de R$ 530 milhões no ano passado, segundo Durval Cavalcanti, diretor de mercado interno da Bertin Alimentos. 


Ele afirmou que a capilaridade da empresa na distribuição de produtos no mercado interno deve sustentar esse aumento. "Entre o fim de 2006 e agora, houve um crescimento de 18% no número de clientes". No total, são 11 mil clientes, 42% no grande e pequeno varejo, 28% no food service, 20% no segmento marcas próprias e 8% em açougues. "Temos estrutura para atender o mercado", disse Cavalcanti, acrescentando que o aumento da renda também contribuiu para o crescimento. 


O aumento dos abates de gado bovino neste ano, com a entrada em operação da unidade de Campo Grande (MS) também contribuirá para o maior faturamento. Com a nova planta, a capacidade abate do Bertin sairá de 7 mil cabeças de gado por dia para 10 mil animais. 


De acordo com Antunes, o Bertin deve investir R$ 200 milhões este ano, e o mesmo montante em 2008 e 2009. Os recursos previstos para 2007 serão destinados à unidade de Campo Grande, que entra em operação este ano, à fábrica de biodiesel de Lins (SP), à ampliação da planta de Marabá (PA), para 1.500 animais por dia, e à melhoria de plantas já existentes. 


Sobre a onda de frigoríficos indo à bolsa, Antunes disse que o grupo Bertin irá abrir o capital "no momento em que achar oportuno para o negócio". Segundo o executivo, a empresa tem "uma estratégia de aportes de capital que sustenta o crescimento nos próximos anos". No ano passado, por exemplo, o grupo captou US$ 250 milhões no mercado internacional e emprestou US$ 90 milhões do International Finance Corporation (IFC), montantes que devem garantir os investimentos nos próximos anos. O executivo frisou que o grupo Bertin está fazendo a "lição de casa", investindo na governança corporativa e atento à sustentabilidade em questões econômicas, sociais e ambientais. 

ALDA DO AMARAL ROCHA