Produção e importações de cevada em alta
O aquecimento da demanda para a produção de malte motivou a disparada das importações brasileiras de cevada e deverá sustentar a retomada da produção no Sul do país na safra de inverno deste ano.
Em Paranaguá (PR), conforme a administração do porto, os desembarques de cevada e malte de cevada alcançaram 74,4 mil toneladas do início do ano até 15 de maio, 630% mais que em igual intervalo de 2006. Pelo terminal paranaense entra malte de cevada trazido sobretudo de Argentina, Uruguai, Bélgica e Canadá. Como a carga é perecível, os navios com o produto ganharam inclusive prioridade de atracação.
"O consumo está aquecido", confirma Alexander Schwarz, coordenador comercial de malte da Cooperativa Agrária Mista Entre Rios, que atua em municípios da região central do Paraná e é dona da Agromalte, responsável por 20% do fornecimento da matéria-prima usada por cervejarias instaladas no país. Conforme o Sindicerv, que reúne fabricantes de cerveja, em 2006 foram produzidos 9,7 bilhões de litros da bebida no Brasil, 8% mais que em 2005 - e 65% do malte usado pelas empresas é importado.
Schwarz explica que a Agrária compra malte de outros países, com qualidade superior, e mistura com o que é produzido pela cooperativa. No ano passado, o grupo importou 41 mil toneladas de malte de cevada, e em 2007 planeja trazer pelo menos 30% mais. A Agrária também importa cevada, que antes de seguir para as cervejarias é transformada em malte.
O cereal é secado e armazenado antes de seguir para a maltaria, onde umidade e temperatura adequadas permitem o início de sua germinação. Nesse processo ocorrem reações enzimáticas que liberam substâncias para a fabricação de cerveja. O processo de germinação é interrompido, o grão passa por secagem e é enviado às indústrias.
Com o quadro favorável, a cevada deve recuperar neste ano parte da área perdida para outras culturas de inverno - basicamente o trigo - em 2006 na região Sul. No Rio Grande do Sul, maior Estado produtor do país, o plantio deverá ocupar 55 mil hectares, 11 mil a mais que no ano passado, e a produção poderá subir 43% e atingir 130 mil toneladas, de acordo com Euclydes Minella, da Embrapa Trigo, de Passo Fundo.
Segundo a Conab, a área no Rio Grande do Sul foi de 55,1 mil hectares em 2006, e a produção chegou a 85,4 mil toneladas. São números mais robustos, que se estiverem corretos sinalizam que a retomada deste ano poderá ser ainda maior.
Conforme Minella, os produtores estão mais animados com os preços neste ano, que estão acima de R$ 400 a tonelada no mercado interno, ante os cerca de R$ 380 em 2006. As maltarias, que definem a área plantada em conjunto com os agricultores, também admitem dificuldades com a oferta de produto no mercado internacional devido a problemas na safra de 2006 na Europa, Canadá e Austrália, embora a maior parte das importações nacionais venha do Mercosul.
Em 2006, a área plantada gaúcha caiu depois que o excesso de chuvas em 2005 prejudicou a qualidade da produção e derrubou preços. Foi por isso que a participação da cevada nacional sobre as compras das maltarias brasileiras caiu da faixa histórica de 60% a 65% para 35% a 40%.
No Paraná, segundo maior Estado produtor de cevada do país, a área destinada à cultura será 31% maior neste ano. Passará de 32,5 mil hectares para 42,5 mil hectares, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura do Estado (os dados também diferem dos da Conab). A expectativa de colheita é de 149 mil toneladas, um aumento de 40%.
Os números do Deral mostram que, apesar da expansão, a área ainda ficará menor que a de 2005, quando foram cultivados 56 mil hectares. Com os problemas climáticos daquele ano, a produção chegou a 130 mil toneladas. É na área de abrangência da Agrária que se concentra cerca de 70% da produção de cevada do Paraná.
MARLI LIMA E SÉRGIO BUENO