Ministério dá a largada nas obras da transposição
O antigo posto de gasolina Imperatriz, na BR-0425, a cinco quilômetros da cidade de Cabrobó, foi alugado pelo Exército para servir de base operacional para a construção do primeiro dos dois canais da transposição do Rio São Francisco.
O aluguel do posto – cujo valor ainda não confirmado é de R$ 4 mil por mês –, tem prazo de validade de 35 meses e vai abrigar os 500 homens do 1º Grupamento de Engenharia de Construção, sediado em Recife, que ficarão no local até 2010 para construir os 7,9 quilômetros de canais de aproximação e duas barragens no Rio São Francisco.
O contrato do Exército com o dono do posto, Renam Oliveira de Lima, deverá ser assinado no final do mês. Em paralelo à ação do Exército, o Ministério da Integração Nacional vai desapropriar 117 propriedades rurais em Cabrobó, com indenizações que variam de R$ 1,3 mil a R$ 1 milhão, pagando, em média, R$ 100 por hectare de terra. A negociação dos valores das desapropriações já foi feita com os proprietários rurais, que evitam comentar o assunto, mas estão apoiando o projeto da transposição, porque vêem nele a oportunidade, com a venda das terras, de mudar de vida.
EIXO LESTE – O município de Cabrobó vai abrigar as obras do chamado Eixo Leste, que juntamente com o canal do Eixo Norte, que ficará no município de Floresta, na borda do lago da Barragem de Itaparica, vão levar as águas do Rio São Francisco para o interior dos Estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. A obra está orçada em R$ 6,2 bilhões.
Na primeira fase, que começa no início do mês, o Exército vai construir os canais de acesso e duas barragens, no valor de R$ 26 milhões. Os canais principais, túneis e aquedutos serão feitos pela iniciativa privada, com 22 grupos empresariais disputando os 14 lotes que foi dividida a obra.
INDENIZAÇÕES – O engenheiro agronômo e especialista em irrigação, Izaldino Menezes, tem em mãos uma lista de 117 propriedades rurais que estão sendo desapropriadas em Cabrobó. Ele é o encarregado de fazer as medições das terras e das benfeitorias e negociar os valores das indenizações com o Ministério da Integração Nacional. "O martelo já foi batido e falta apenas o dinheiro chegar na conta das pessoas", diz.
A maior propriedade é a Fazenda Trucutu, do pecuarista e agricultor Antonio Simões Almeida, que possui 600 hectares de terras e cuja propriedade está avaliada (incluindo as benfeitorias) em mais de R$ 1 milhão. O pecuarista evita comentar o assunto, mas desde o ano passado cuidou de vender parte das 570 cabeças de gado que criava e repassou para terceiros o cuidado com o plantio de arroz, que cultiva em suas terras.
O canal da transposição passará por dentro da fazenda, assim como nas propriedades dos fazendeiros, Manoel Urias e João Inácio, cujo valores das indenizações vêm sendo mantidos em sigilo. Conforme explicou o engenheiro Izaldino Menezes, o canal da transposição terá 25 metros de largura, com uma área de recuo, onde não será permitido qualquer tipo de cultivo, de 100 metros de cada lado. Em Cabrobó será construído em uma extensão de 38 quilômetros, em direção ao interior do Estado.
ADILSON FONSÊCA