Mais agressiva, Elegê deve subir no ranking do leite
A investida da Avipal sobre a Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo - CCL pode levar a gaúcha ao segundo lugar no ranking de captação de leite dos laticínios brasileiros. De acordo com os números da Leite Brasil, em 2006, a Avipal, que atua em lácteos com a marca Elegê, captou 897,9 milhões de litros de leite, 6,7% mais que em 2005, quando a captação alcançou 841,5 milhões. No mesmo período, a CCL captou 12,2% menos e fechou o ano passado com 316, 0 milhões de litros.
Se a negociação entre Avipal e CCL se concretizar e a captação de leite desta última se mantiver estável, a empresa gaúcha tem potencial para ultrapassar outra cooperativa, a mineira Itambé, na captação. Em 2006, a Itambé comprou 1,039 bilhão de litros de leite e ficou em segundo lugar no ranking.
Segundo especialistas do setor de lácteos, a estratégia da Avipal atualmente é ampliar a captação de leite para reforçar sua participação no mercado. Como a disputa por leite no Rio Grande do Sul, sua base, é grande atualmente por causa dos novos projetos de laticínios, a empresa busca entrar em outras bacias leiteiras.
Tem feito isso por meio de contratos de prestação de serviços, como o fechado com a agropecuária Tuiuti, em Amparo (SP), que fabrica a marca Shefa, no fim de 2005. Esse acordo permite à empresa avançar no mercado de São Paulo, um dos mais cobiçados pelas companhias. Já o arrendamento da unidade da CCL em Itumbiara, por 30 anos, garante a entrada da Avipal na bacia leiteira de Goiás.
Segundo informou a própria empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com o arrendamento da unidade goiana, que inclui imóveis, máquinas e equipamentos, a expectativa da Avipal é elevar sua produção de leite longa vida e leite em pó em 15% e alcançar um incremento de até 60% na produção de manteiga.
Na estratégia de reforçar seu posicionamento no mercado, a Avipal também busca fazer aquisições, segundo uma fonte ligada à empresa. Mas no segmento de lácteos há quem considere que a Avipal dá "sinais contraditórios" sobre sua estratégia. "Até pouco tempo, a Avipal estava à venda", comenta um analista.
De fato, nos dois últimos anos, houve muitos rumores no mercado de que a empresa, que também atua em aves e suínos, estaria à venda. Mas nada se concretizou. Chegou-se, a aventar, no mercado, a possibilidade de a empresa se manter apenas em lácteos, já que o negócio carnes enfrentava problemas por conta de embargos e restrições de demanda, o que derrubou as exportações da Avipal.
Em seu último balanço, a Avipal informou que o segmento de lácteos teve um aumento de 7,2% no faturamento no primeiro trimestre deste ano. A receita bruta da empresa no período foi de R$ 521,4 milhões, alta de 5,8%.(AAR, colaborou DD)