Nutritivo, mas pouco aproveitado
Os resultados da pesquisa científica realizada pela pós-doutora em Química e professora do Centro Federal de Ensino Tecnológico da Bahia (Cefet) Djane Santiago de Jesus sobre o valor nutricional e o peso socioeconômico do coco licuri para o Estado serão mostrados, hoje e amanhã, durante um workshop de integração de ações para o desenvolvimento do semiárido baiano, no Cefet.
A pesquisa revelou que no licuri são encontradas cálcio, magnésio, cobre e zinco e, na amêndoa, cálcio, magnésio, cobre, zinco, ferro, manganês e selênio. Daí, o encontro vai discutir como o beneficiamento desse fruto pode colaborar para o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida de moradores da região.
No licuri, 50% da constituição da amêndoa é de óleo. As substâncias, diz a professora, são essências para a sobrevivência humana e contribuem no combate à fome e problemas de visão, cânceres, doenças do coração, artrites, arterioscleroses, anemia, diabetes, asma e outras.
Foram desenvolvidos, a partir da pesquisa, vários produtos, na forma de complemento alimentar (barra de cereal), compotas, sorvetes, geléias, iogurtes, farinha, que poderão compor o mix de uma agroindústria em Caldeirão Grande, no semiaacute;rido da Bahia. Diz a professora que um projeto para criação da agroindústria do licuri está em fase final de elaboração, pelo Instituto Novas Fronteiras da Cooperação. O objetivo é beneficiar agricultores familiares daquele município, principalmente mulheres e jovens que hoje vivem em situação de risco. O complemento alimentar, fonte rica em nutrientes, poderá servir de incremento na merenda escolar, auxiliando no combate à fome e aos distúrbios de aprendizagem.
LICURI – Também conhecido como ouricuri, aricuri, nicuri e alicuri, este fruto de palmeira é o principal provedor de recursos para a subsistência da comunidade da zona do semiaacute;rido baiano. O licurizeiro (Syagrus coronata (Martius) Beccari) é nativo da região semiárida da Bahia até o Estado de Pernambuco e a utilização de seu fruto se restringe, hoje, à fabricação de sabão, a partir da amêndoa, e à alimentação de animais.
Na avaliação da professora e pesquisadora Djane Santiago de Jesus, a otimização do uso dessa palmeira certamente contribuirá para a melhoria da qualidade de vida da população, tanto com a utilização dos seus frutos para fabricação de vários produtos para alimentação humana, quanto na fabricação de artesanato.
“Isso pode gerar emprego e renda no semiaacute;rido e impulsionar o desenvolvimento socioeconômico e a preservação ambiental, e promoverá a justiça social”, disse a professora para A TARDE Rural, destacando, também, a participação do Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia.