Brasil mostra sua versão Tropical
Uma carne de paladar e aroma inigualáveis que tem peso cotado a preço de ouro (ou até mais caro!) já aportou em solo brasileiro. A carne é proveniente do gado Wagyu, de origem japonesa, que já está sendo criado no Brasil, nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Ainda não existem criadores na Bahia. No Japão, um quilo da carne desta raça bovina, conhecida como Kobe Beef, pode custar o correspondente a R$ 900.
A iguaria, digna de reis, apresenta elevados padrões de paladar e aroma devido ao fato de a gordura estar infiltrada entre as fibras musculares, formando desenhos chamados de marmoreio. “Nas carnes marmoreadas, as gorduras derretem sobre as fibras musculares, dando ótima sensação de paladar.
Além disso, o sabor e o aroma são definidos por ácidos graxos insaturados, que tornam a carne nobre e ajudam a controlar o colesterol”, explica Belarmino Iglesias, proprietário da Fazenda Rubaiyat, localizada em Dourados (MS), e produtor do gado Wagyu. Ele também comanda a grife Rubaiyat, com restaurantes no Brasil (São Paulo), Espanha (Madri) e Argentina (Buenos Aires), que servem cortes de carnes nobres, entre elas o Tropical Kobe Beef.
No Brasil, a raça de origem japonesa é resultado do cruzamento de exemplares de Wagyu com raças zebuínas e européias. Na Fazenda Rubaiyat, o cruzamento entre bovinos Wagyu e vacas da raça Brangus (híbridos de Brahaman e Angus) apresentaram boa qualidade. Segundo Rogério Satoru Uenishi, superintendente técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Wagyu, o rebanho brasileiro desta raça chega a cerca de mil animais puros e 10 mil exemplares de diferentes graus sangüíneos. A entidade conta com 30 associados.
DIFERENÇAS – As variações da raça japonesa que vêm sendo desenvolvidas no Brasil diferem da original criada no Japão. O alto nível de qualidade da carne exigido pela rígida inspeção japonesa requer padrões de marmoreio ainda não *Yakult, empresa de inseminação artificial de Bragança Paulista (SP), é pioneira na importação.
Começou em 1992 e em 1996 a compra de genética 100% foi intensificada, via Canadá e EUA. Alcançados pelas raças mestiças brasileiras. O nível de marmoreio das carnes produzidas no Brasil está abaixo do conseguido no Japão e é este nível que define a qualidade da carne. “O marmoreio é a principal característica responsável pelos teores de sabor e suculência da carne. Essa é uma das principais características do Wagyu. Testes com animais meio-sangue Wagyu e Zebu comprovaram que sua carne apresenta excelente grau de acabamento de cobertura de gordura e marmoreio”, explica Rogério Satoru Uenishi.
Para se alcançar os altos níveis exigidos pelos consumidores japoneses, o gado lá é criado em confinamento, onde recebe massagens para deixar a carne mais macia, além de doses diárias de cerveja e uma alimentação especial, constituída de cevada, aveia, milho, trigo e soja. No Brasil, os Wagyu são criados soltos, mas sem massagens ou doses de cerveja.
A Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Wagyu vai divulgar a raça de origem japonesa na Feicorte 2007, que acontecerá entre os dias 19 a 23 de junho no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo (SP). Além de exemplares da raça, será montado um restaurante que oferecerá o prato preparado com a carne marmoreada. “Esta será uma excelente oportunidade para divulgarmos a eficiência da raça e apresentar o Tropical Kobe Beef, uma de nossas marcas premium. Nossa expectativa é servir no restaurante a mais de 3 mil visitantes nos cinco dias de exposição”, afirma Belarmino Iglesias, proprietário do Rubaiyat.
CRISTINA DE MORAES