As exportações de uvas no Vale do São Francisco, no território que compreende parte do semi-árido baiano e pernambucano, devem apresentar este ano, em volume embarcado, um crescimento da ordem de 20% em comparação ao ano passado, saltando de 62 mil para 74 mil toneladas. A previsão é de que a área plantada, no caso da uva fina de mesa, apresente também um aumento em torno de 11%, atingindo 10 mil hectares. Na avaliação do assessor de revitalização da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Ubirajara Gomes, apesar do cenário projetado, as vendas externas do produto, setor que fechou 2006 em US$120 milhões, não irão acompanhar, em termos financeiros, esse mesmo ritmo de incremento. O problema, conforme explica, está na valorização do real frente ao dólar e na queda gradativa do valor pago aos produtores.
Segundo conta, o preço médio da tonelada da uva começou a cair nos últimos anos, passando de US$2.093 em 2005 para US$1.902 no ano seguinte. “Essa situação cambial, que por um lado prejudica o produtor, vem entretanto diminuindo o custo de produção, pois alguns produtos utilizados pelo segmento, como inseticidas e adubos, são importados”, afirma. De acordo com informações da Codevasf, somente o pólo Petrolina/Juazeiro – região localizada no submédio São Francisco e onde a fruticultura movimenta R$1 bilhão – é hoje o maior centro produtor desse tipo de fruta no país, contribuindo com 90% das exportações brasileiras. No ano passado, foram produzidas no Vale, território onde a atividade frutícola conta com mais de 100 mil hectares de área plantada, cerca de 160 mil toneladas de uva. Desse total, um terço é destinado à exportação, em especial para a Europa, com destaque para as uvas sem sementes.
Já com relação à manga, Ubirajara esclarece que não há perspectiva de expansão da cultura, em virtude do atual quadro de saturação do mercado. Outro fator está no autocontrole imposto pelos empresários às exportações do artigo, principalmente para os Estados Unidos, resultando em um aumento no preço médio da tonelada da fruta, que passou de US$638 em 2005 para US$743 em 2006. Enquanto isso, o volume embarcado nos últimos dois anos passou apenas de 113 mil para 115 mil toneladas.
Ao contrário da manga, o estado vem apostando em uma expansão significativa na comercialização de bananas, cultura que encontrou no município de Bom Jesus da Lapa, através de um projeto da Codevasf, um novo centro produtor, destinado exclusivamente ao mercado externo. Segundo o assessor da companhia, a área plantada do produto, que totaliza quatro mil hectares, deve crescer este ano quase mil hectares.
Com uma área de 2,3 milhões de hectares, a fruticultura movimenta atualmente no Brasil – país que é o terceiro maior produtor mundial, com 40 milhões de toneladas – cerca de US$5,8 bilhões no segmento de frutas frescas, valor que sobe para US$12,2 bilhões ao reunir itens como castanhas, nozes e os artigos processados. Nos últimos cinco anos, o ramo frutículo nacional registrou um aumento de 27% nas exportações do setor, com destaque para a ampliação do comércio internacional de polpa (18%) e sucos (13%). A fruticultura é hoje a atividade agropecuária que mais emprega mão-de-obra no Brasil, gerando de dois a cinco postos de trabalho na cadeia produtiva, por hectare cultivado.
ALAN AMARAL