Agricultura familiar do sudoeste produz café tipo exportação
Terminada a 10ª Semana do Café de Barra do Choça, entre os dias 16 e 19 da semana passada, ficou a confirmação de que a cultura do café, com o reforço dado pela agricultura familiar, retomou a posição de destaque que antes exercia no município. Atualmente, o município de Barra do Choça é o maior produtor de café do Estado da Bahia, com a colheita de 350 mil sacas anuais, o equivalente a 20% da produção estadual, de 1,6 milhão de sacas, a quarta maior no ranking dos produtores de café do País. O Planalto de Conquista – onde o município de Barra do Choça está inserido – produz 600 mil sacas. O Planalto possui 50 mil hectares de café, dos quais, 20 mil hectares estão no município de Barra do Choça.
Estagnada desde o final da década de 1980, a cafeicultura do Planalto de Conquista rendeu graças à de Barra do Choça, maior produtor individual do Norte e Nordeste brasileiro, com o tipo Arábica. Um dos beneficiados desta nova fase é o pequeno produtor Gildásio Rodrigues, 40 anos. Ele negocia diretamente com a indústria, sem participação de atravessador, ao preço mínimo de US$ 160 a saca de 60 kg (pouco mais de R$ 300).
Se o preço do dólar (R$ 1,93) aumentar, o mercado americano segue a tendência e paga mais; se cair, fica mantido o valor mínimo de US$ 160. A primeira partida do café de Barra do Choça para os Estados Unidos deve acontecer no segundo semestre, com previsão de embarque de 10 mil sacas. Técnicos estagiários do Ministério do Desenvolvimento Agrário estão acompanhando os produtores, dando ajuda na organização e, principalmente, sobre a produção de café de qualidade. O trabalho possibilita a transição das lavouras convencionais para as orgânicas, cujo cafés são aceitos em mais de 50 países.
CONSORCIAÇÃO – Na esteira da cafeicultura, a economia agrícola tomou um impulso, estimulando a formação de novas áreas de plantio e implantação de culturas alternativas. Atualmente, a cultura do café no sudoeste divide espaço com roças de bananas, abacate, cana-de-açúcar e mandioca. A política de diversificação das atividades agropecuárias atende, ainda, à ovinocultura, à apicultura, à floricultura, à fruticultura e à olericultura. O café é plantado também em consorciação com a pimenta.
O maior produtor de café individual do Norte e Nordeste investe também na produção de leite, capitaneado por uma usina de processamento que garante um produto de qualidade para toda a região, além de gerar empregos. Durante a safra, de outubro a janeiro, a usina produz de 60 mil a 70 mil litros de leite por mês e, nos demais meses do ano, cai de 45 mil a 50 mil litros por mês.
A produção total do município, com um rebanho de 11 mil animais, vai de 90 mil a 130 mil litros por mês. O suporte para as culturas alternativas é dado pelo governo estadual por meio da Estação Experimental da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) no município.
Numa área de 40 hectares brotam experimentos de café, floricultura, canade-açúcar, milho, feijão, sorgo e produção de mudas frutíferas e florestais das espécies nativas da região.
O espaço, equipado com rede elétrica trifásica e sistema de irrigação disponível para montagem de experimentos, é utilizado para demonstrações, exposições e minicursos. Um dos eventos de caráter nacional, sediado na estação, é a semana do café, que este ano chegou à 10ª edição.
“Temos resultados positivos, como mudas de banana resistentes à sigatoka negra, mostrando que não praticamos monocultura”, disse o prefeito de Barra do Choça, Gesiel Ribeiro, falando ainda da pecuária leiteira e da canade-açúcar, em crescimento econômico “sem aumentar a área plantada, nem desmatar”.
A substituição de cafezais pela canade-açúcar em São Paulo pode favorecer as regiões baianas do Planalto de Conquista e do oeste. Recentemente, em visita à região, o secretário de Agricultura do Estado, Geraldo Simões, festejou. “Isso é um indicativo importante, pois poderemos ampliar nossa área e o Estado apoiar a atividade, criando um centro de profissionalização ou debatendo com a Embrapa a possibilidade de termos uma unidade de pesquisa”, completou o secretário.
JUSCELINO SOUZA